No mês de outubro passado passei por uma situação bastante
constrangedora com um jovem paulista de 28 anos de idade que se apresentava
pela internet e depois por telefone, como pastor, interessado em “abrir um
canal” para pregar a Palavra de Deus em igrejas evangélicas de Mato Grosso.
Suas loucuras e heresias chegaram a tirar-me do sério. Fui tão azucrinado por
esse moço que acabei sendo um tanto grosseiro, atitude que não é própria de
minha pessoa. Mas precisei dizer-lhe um montão de verdades para que deixasse
de perturbar-me com suas baboseiras.
Em todos os contatos que esse moço manteve comigo, insistiu com as frases:
“Pastor, sua igreja corre perigo” e “Pastor, as tele-novelas estão acabando
com sua igreja”. Estranhei que dissesse isso sem conhecer nossa comunidade
cristã. Mesmo assim, educadamente, mantive-me na ética e no amor. Suportando
suas afirmativas sem questioná-las.
Mas, como insistisse em enviar-me inúmeros emails, algo em torno de 40 em
apenas um mês, resolvi encarar a situação para saber o que realmente o jovem
pastor queria alcançar com tamanha insistência. No último contato,
perguntei-lhe qual seria mesmo seu objetivo enviando-me tantos emails sobre os
mesmos assuntos. Objetivamente respondeu-me que era um pastor muito
requisitado em São Paulo e noutros estados brasileiros, para falar sobre
problemas gerados no seio da família, pela programação televisiva em nosso
País.
Fiz-lhe outra pergunta. Qual seria sua “especialidade” no Ministério
Evangélico. A isso respondeu, que, com base numas “revelações” que havia
recebido de Deus sobre os males que as tele-novelas causam aos crentes que as
assistem, resolveu preparar algumas mensagens específicas, gravá-las em CDs e
DVDs e dedicar sua vida em “distribuir” (poderia ter dito: vender) o tal
material nas igrejas.
Quis saber se exigia alguma coisa em troca por sua visita a uma igreja
evangélica. Sem escrúpulo algum, respondeu-me que sim. O quê? Perguntei.
“Pastor Dorjival, preciso de um calção de R$ 1,5 mil depositado
antecipadamente em minha conta bancária, duas passagens aéreas, confirmação de
reserva em hotel que tenha site e demais serviços de internet, e a garantia do
senhor, que os membros de sua igreja adquirirão um mínimo de 30 CDs e 30 DVDs”.
Continuou: “meu CD é vendido a R$ 25 e o DVD, dar para sair até por R$ 40”.
Como não demorei a entender que estava conversando com um pilantra da mais
baixa categoria, aproveitei para tirar umas lascas do seu lombo. Perguntei
ironicamente: “então o trabalho do nobre pastor é vender mensagens, pregações,
conferências, CDs, DVDs, etc...?”
Você poderia pelo menos imaginar o que este moço me respondeu? Creio que não!
Vou te contar. Assim se expressou: “eu pensei que o senhor estava me levando a
sério... não sou vendedor coisa nenhuma... sou um homem de Deus, preocupado
com a saúde espiritual das igrejas e faço isso porque o Senhor Jesus me
mandou”. Repliquei: “mas o Senhor Jesus não falou que o que se recebe de
graça, de graça deve ser repassado?...o ilustre pastor está fazendo
exigências... depósito antecipado...crer mesmo que essa atitude é correta,
cristã, bíblica?”
Bem, como disse umas coisas mais fortes, do tipo: “você não acha melhor tomar
vergonha na cara, parar com tamanha safadeza... e deixar de sair por ai em
Nome do Senhor Jesus exigindo dinheiro das igrejas e dos crentes humildes... e
pior, vendendo certamente um material porcaria que só deve servir para iludir
as pessoas com os usos e costumes impregnados em sua cabeça vazia...?”
Agressivamente, alcunhou-me de herege. “Pois, se o senhor sabe tanto quanto
sei, sobre o mal que causam as novelas e, tem todas as “revelações” que me
foram dadas por Deus, por que não me mostra o que sabes”, desafiou-me. Bom,
prefiro não comentar a continuidade da conversa.
Prezado leitor, dá para a gente de bem, convertida realmente ao Senhor Jesus,
confiar nesse tipo de pastor? Uma comunidade cristã que se preze deve entregar
o púlpito da igreja para um espertalhão desses? Você não acredita que esse
tipo de gente só quer mesmo é fazer a sua conta bancária ficar mais obesa ao
final de cada visita à uma igreja por humilde que seja?
Nobre leitor, somos obrigados a abrigar em nosso coração os maravilhosos
conselhos, primeiro da Bíblia que reprova esse lamentável comportamento em
pleno vigor no meio pastoral, e de nossa estimável escritora cristã brasileira
Mary Schultze que em artigo publicado em março de 2006,
observou com muita felicidade: “Pastor
que prega em troca de muito dinheiro não me comove. Há pregadores que vivem
modestamente e esses eu respeito. Também respeito os ministros que estudam a
Palavra com dedicação, a fim de edificar os crentes imaturos. Hoje em dia, as
ovelhas estão tão mal alimentadas, na maioria das igrejas, que o ministério de
edificação é indispensável. Isso porque, infelizmente, a maioria dos
pregadores modernos começa a pregar já pensando nos lucros que advirão dos
dízimos e ofertas e, então, como abutres dos púlpitos, transformam a Palavra
de Deus em fonte de lucro, abocanhando o que os iletrados têm e o que não têm,
o que contraria o evangelho de Paulo: “Mas é
grande ganho a piedade com contentamento. Porque nada trouxemos para este
mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele” (1Timóteo 66-7)”.
Sem mais comentários!
Pastor Dorjival Silva
05/12/2006