O “Frágil Pastor” e a “Ovelha Velha”
Hoje fui assistir a um culto na igreja, em cujo boletim pode-se ler que o pregador se autodenomina, humildemente, um “frágil pastor”, comparando-se aos “líderes da prosperidade”, que se vangloriam de que Deus lhes dá TUDO que desejam, bastando apenas pedir, declarando, ousadamente, que Deus “tem obrigação” de atender a todos os pedidos deles, que são mestres do engodo, sendo que muitos até se assentam em literais tronos de ouro, à custa dos dízimos e ofertas dos incautos membros de suas mega-igrejas emergentes. Entre estes, citamos: Robert Schuller, Kenneth Copeland, Benny Hinn, Richard Foster, Rick Warren… e mais uma centena… todos eles a caminho do “seu próprio lugar” (Atos 1:25).
Concordo em que ele seja frágil, não na doutrina, pois conhece a Bíblia e prega bem; é um excelente cidadão e pai de família, portanto “um homem segundo o coração de Deus”, conforme o Velho Testamento se refere ao Rei Davi. Contudo...
Em algumas coisas ele se mostra realmente frágil e uma delas é quando afirma no mesmo artigo do boletim da igreja: “Confesso que, muitas vezes, ao ouvir os problemas dos irmãos, sinto-me pequenino e, chorando, oro com eles, pedindo discernimento e sabedoria do Alto para aquela crise”.
Imagino que esses irmãos, que o levam a derramar tão copiosas lágrimas, não sejam iguais a mim, uma privilegiada filha de Deus, que jamais entrou em seu gabinete para pedir ajuda, conselho ou oração, pois encontra na Bíblia a resposta para cada problema que lhe aparece, sem necessitar “encachoeirar” os olhos do pastor.
E de tanto “não carecer” da ajuda do pastor, depois de cinco anos, precisei ligar para ele, a fim de lhe fazer uma pergunta sobre o título do livro de um certo autor que ele mencionou elogiosamente no púlpito, há algumas semanas. A secretária pediu que eu me identificasse e logo em seguida veio com a resposta: “O pastor está muito ocupado e não pode atendê-la ao telefone”.
O que estaria fazendo o “frágil pastor” naquele momento? Estaria atendendo a alguma ovelha (menos velha) da igreja? Ou estaria conversando com algum colega de profissão? Ou - quem sabe - estaria simplesmente lendo o livro do tal autor (novaerense) por ele mencionado no púlpito?
Sim, ele é, de fato, um “frágil pastor”, em poucas coisas, mas é frágil. Além de ter pressão altíssima (até foi internado num hospital, depois de ter sofrido um AVC), ele agora demonstra fragilidade no amor às ovelhas, principalmente por uma ”ovelha velha”, a quem deveria dar maior atenção. Primeiro, porque a ovelha que ligou para ele é uma pesquisadora da Bíblia e, mesmo que não o admita, ele tem aprendido um bocado com os escritos que ela traduz de excelentes teólogos bíblicos; segundo, ela nunca o importunou com problema algum e, dessa vez, poderia estar com um sério problema, precisando de ajuda (o que, felizmente, não foi o caso); terceiro, porque tendo mais de 70 anos, ela merece (pelas leis dos homens e de Deus) uma certa prioridade no atendimento.
Ainda bem que esta “ovelha velha”, que na certa vai morrer antes desse “frágil pastor” (mesmo tendo uma saúde de ferra, com 12X8 de pressão e nenhum dos achaques da Terceira Idade), já pediu muitas vezes a outro pastor da igreja - o seu melhor amigo depois de Jesus: 1.- quando ela falecer, ele e a filha Rose não permitam que esse “frágil pastor” fale uma palavra sequer diante do seu féretro; 2.- que o seu corpo não seja velado na igreja, para não satisfazer a álacre curiosidade de alguns irmãos “dizimistas fanáticos”, os quais a consideram uma “herege”. São estes os membros amados pela cúpula da igreja, porque estão sempre de envelopinho não mão, como pobres ovelhas (ignorantes das doutrinas de Paulo, no Novo Testamento), deixando-se tosquiar pacificamente nos seus ganhos, dos quais o LULA e sua gangue já nos “afanam” mais de 37%!
E antes de terminar este desabafo, esse “frágil pastor”, por quem oro todos os dias, de manhã e à noite, tem toda razão em recear responder minhas perguntas, pois a primeira que lhe fiz, quando falava na igreja, recomendando uma certa versão da Bíblia (há uns três anos), foi respondida com certa hesitação e aconteceu exatamente poucos minutos antes dele ter o supra citado AVC. E antes que um de nós vá para o céu (para onde na certa iremos, como crentes sinceros no Senhor), aqui vai um poeminha repentista, que fiz hoje depois do almoço, sobre a minha frutinha favorita:
Agosto é mês do desgosto,
mas com isso não me zango,
pois tem a fruta que eu gosto
O lindo e rubro morango!
O morango é azedinho,
“sabendo” um pouco a banana
e também nos lembra o vinho,
que a muitos de nós engana.
Em sua fragilidade
o morango é sobremesa.
No vinho está a verdade,
no morango, a realeza!
Mary Schultze, 26/08/2006