O “Frágil Pastor” e a “Mulher de Potifar”
O “frágil pastor” mudou o rumo das pregações que havia programado, pois deveria entregar hoje a terceira da série “Como ter uma boa auto-imagem”. Provavelmente a causa dessa mudança foi o fato dele ter lido o primeiro artigo no qual comentei o primeiro sermão dele sobre ao assunto. Como só entrego meus comentários no domingo seguinte, ele havia lido apenas o de domingo 8/10, sendo que hoje entreguei - ao segundo homem da hierarquia da igreja - o comentário que escrevi no domingo 15/10, para chegar às mãos dele, antes do almoço.
Agora vou comentar a pregação de hoje (22/10), embasada em Gênesis 39-41, versando sobre as maldades que a mulher de Potifar fez contra José (no caso o pastor) e como este reagiu às maldades dessa mulher horrorosa (no caso eu), que o caluniou diante do marido (no caso o Senhor Jesus Cristo), o que até foi bom para José (Romanos 8:28), pois mesmo tendo ido para a cadeia, ele ali pôde ajudar os encarcerados, provando sua competência em interpretar sonhos, até que amadureceu o bastante e acabou se tornando o governador do Egito.
O “frágil pastor” ressaltou cinco exemplos de sabedoria usados por José, a fim de vencer os obstáculos causados pela injustiça que lhe fora praticada, porém vou ressaltar apenas o primeiro e o quinto.
O primeiro foi “calar”. Ele disse que José calou-se a respeito dos acontecimentos, ao contrário do que fizera antes, quando narrava os seus sonhos megalomaníacos aos irmãos invejosos, motivo que o levou a sofrer perseguição destes. Ele deu a entender que está sendo vítima de calúnia, difamação, injustiça, etc., mas preferiu calar, pois, com o tempo, a verdade virá à tona e todos saberão que ele é inocente. Só não entendi onde ele descobriu calúnia da parte da autora do artigo, pois o dito não foi lido por pessoa alguma na Igreja, exceto por ele mesmo e pelo meu grupo de amigos da Internet. Também não houve calúnia de qualquer espécie, pois relatei o que ele falou e isso poderia ser comprovado por todos os que escutaram a primeira mensagem sobre a necessidade de o cristão ter uma boa auto-imagem. Nesse caso, falar hoje no púlpito, pensando que as suas pacíficas ovelhas iriam entender sobre quem ele estava falando, foi deixar de calar e ainda pregar quase em vão no deserto, pois a única pessoa que entendeu as “indiretas já” fui eu mesma.
O segundo exemplo de José foi saber esperar. Aqui ele quis dar a entender duas coisas possíveis: 1.- que a mulher de Potifar seria expulsa do seu meio, ou que esta teria falecido (detalhes que a Bíblia não relata). A segunda até pode acontecer, pois sou quase 30 anos mais velha do que o “frágil pastor”, embora ele seja mais frágil do que eu na saúde, pois sou uma rocha; e se tiver de acompanhar meu pai (falecido aos 89 anos) e minha mãe (97 anos) na longevidade, chegarei tranquilamente aos 93 anos – a média de ambos - Mas, será que ele vai agüentar a chegar pelo menos até a idade que tenho agora? Durante a pregação, fiquei deveras preocupada, pois ele demonstrou uma certa falta de ar, o que me deixou com medo de presenciar mais um AVC...
Oro diariamente por esse “frágil pastor” e, se depender de minhas orações, ele vai chegar pelo menos até os meus “quase” 77 anos e só deixará a nossa igreja quando se aposentar... Ou falecer! Pois é um bom chefe de família, um excelente pregador, charmoso, culto, inteligente e amado por todos... Principalmente pela “mulher de Potifar”, que dele recebe inspiração para uma ou outra crônica semanal.
Quem vai morrer primeiro, ele ou eu? Talvez seja a “mulher de Potifar”, pois dei a mim mesma um prazo para a volta do Senhor Jesus Cristo - 07/06/2007 - data em que estará completando 40 anos da reintegração de Jerusalém às mãos dos judeus. Se Ele não voltar, eu gostaria de “ser arrebatada” em 07/07/2007. É verdade que tenho uma excelente saúde, sem qualquer um dos achaques da terceira idade; trabalho pelo menos 8 horas diárias em minhas traduções de assuntos bíblicos, com as quais ajudo, via Internet, muitos irmãos que não lêem Inglês; gosto de andar elegantemente vestida, usando meus adereços prediletos; tenho uma porção de amigos nesta cidade e em várias partes do mundo (através da comunicação por e-mails); recebo mensagens otimistas e edificantes de “Deus e o mundo” (como dizia minha avó); como tudo que acho gostoso, pois minha pressão de 12 X 8 e o meu peso de 52 Kg me permitem essa alegria. Muitas vezes, depois de um dia de doze horas de atividade ininterrupta, oro de joelhos agradecendo tudo a Deus e ainda declaro: ”Senhor, se o céu for melhor do que minha vida aqui... eu não for agüentar!”. Mesmo assim, aprendi com Paulo Apóstolo que “minha pátria está nos céus” (Filipenses 3:20) e suspiro por essa pátria celestial, onde até mesmo a mulher de Potifar (mediante a fé em Cristo) poderia ter entrado...
A quem devo creditar tudo de bom que tenho nesta minha “velhitude”? Primeiro, ao Senhor Jesus Cristo, que morreu na cruz, ressuscitou e me deu vida abundante - assim na terra como no céu. Segundo, a um homem biblicamente culto, muito inteligente e simples (nada frágil) chamado PP, que há onze anos notou que eu andava deprimida, após ter vendido a firma H. Schultze Ltda. na Baixada Fluminense; convidou-me para trabalhar com ele na obra do Senhor (Centro de Pesquisas Religiosas de Teresópolis - CPR) ocupação voluntária que me transformou nesta velhinha realizada e feliz, compromissada com Deus e interessada na edificação dos crentes, usando os dons intelectuais que o Senhor me deu. Duvido que o PP, o qual tem convivido diariamente comigo, há quase 12 anos, cometa a estultícia de me comparar com a mulher de Potifar!
“E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito (Romanos 8:28 – ACF). Por isso, o santo José e a mulher de Potifar, que foram apresentados hoje no púlpito da igreja, até me ajudaram com inspiração para mais uma crônica domingueira!
Mary Schultze, 22/10/2006