Cristão ou “Seguidor de Cristo”
Cristão ou seguidor de Cristo. É uma distinção que está sendo feita mais e mais nos dias de hoje e muitas vezes o último termo, “seguidor de Cristo”, está substituindo o primeiro, “cristão”. Até mesmo muitos líderes cristãos estão fazendo essa alteração. Mas o que significa exatamente isso? O líder da Igreja Emergente, Erwin McManus diz que o seu “objetivo é destruir o Cristianismo como religião mundial para ser um recuperador do movimento de Jesus Cristo” [não nos faz lembrar o movimento chamado “Promise Keepers” - Pagadores de Promessa?] No livro de McManus “The Barbarian Way” (O Caminho Bárbaro), ele fala sobre estar sendo “despertado” para um “anseio fundamental que... ele espera será deslanchado dentro de cada seguidor de Cristo”. McManus diz que “o maior inimigo do movimento de Jesus Cristo é o Cristianismo (isto é, os cristãos)”. Uma série de Vídeos sobre o YouTube.com chamada “Não mais cristão” (pela Christian Community Church) exemplifica esta visão, ao retratar aqueles que se autodenominam cristãos como superficiais freqüentadores de igreja, os quais usam terno e gravata, têm adesivos cristãos colados em seus carros e preferem a versão da Bíblia King James. Este vídeo é uma evidência de que está ficando gradativamente mais popular chamar-se a si mesmo de “seguidor de Cristo” em vez de “cristão”.
Interessante é que a maioria desses líderes, a qual parece estar minimizando o nome cristão e promovendo a apropriação do nome “seguidor de Cristo”, é constituída de proponentes da espiritualidade contemplativa. Um dos que advogam essa espiritualidade, Rick Warren, usa o termo através do seu website pastors.com. Lee Strobel refere-se a isso em seu livro “Case for Christ” (Invólucro para Cristo) da Student Edition, e o pastor wesleyano David Drury tem um Christ Follower Pop Quiz em seu website, para ajudar a determinar se você é realmente um ”seguidor de Cristo” [Todos esses líderes “cristãos” estão laborando no sentido de uma união definitiva com o Catolicismo Romano, a fim de que seja criada uma religião mundial, com vistas ao Reconstrucionismo - MS].
O tema do sentimento anticristão não vai desaparecer tão depressa. Livros e títulos, por exemplo, expressam essa crescente atitude. Um livro “Why One Can Be a Christian or a Christ Follower (But Not Both)” (Por que Alguém Pode Ser um Cristão ou um Seguidor de Cristo, Mas Não Ambas as Coisas), de Floyd Henderson é um desses casos. O líder da Igreja Emergente e promotor do labirinto, Dan Kimball, tem um livro que vai sair na próxima primavera, chamado “They Like Jesus, But Not the Church” (Eles Gostam de Jesus, Mas Não da Igreja).
A idéia é que você pode lutar por Jesus, mas não ter de identificar-se como cristão ou parte de uma igreja cristã. Esse conceito tem surgido também dentro de algumas sociedades missionárias, onde se ensinam pessoas de outras religiões a manter a sua religião, apenas anexando Jesus à equação [Isso contraria totalmente João 14:6 - MS]. Elas não precisam abraçar o termo “cristão” (Ver A Nova Missiologia).
Então, qual é o problema, se você deseja ser um seguidor de Cristo em vez de um cristão. Bem, o problema, quando identificado, vai lhe mostrar porque o movimento da Formação Espiritual (promovido pela Igreja Willow Creek Com Propósito, a Igreja Emergente, etc.) é de fato perigoso e mal conduzido.
Vamos explicar. Se você pesquisou os ensinos dos autores contemplativos, deve ter notado a mensagem comum. Essa mensagem diz: “Se você quer ser igual a Cristo, deve praticar certas disciplinas e então poderá ser igual a Ele” [Isso lembra os Exercícios Espirituais de Inácio de Loyola praticados pelos Jesuítas - MS]. Chuck Swindow chegou a esse ponto, quando escreveu o seu livro “So You Want To Be Like Christ: Eight Essential Disciplines To Get You There”. Mas Swindow exalta uma disciplina em particular - o silêncio [Isso mostra que eu jamais poderia ser uma adepta da contemplação, a qual é típica das filosofias ocultistas tipo a Rosa Cruz - MS]. De fato, ele chega a ponto de afirmar que você não pode se tornar um cristão profundo e significativo sem isso. Beth Moore no filme pro-contemplativo “Be Still”, diz: “Se você não ficar silencioso diante Dele (Deus), jamais vai conhecer nas profundezas da essência dos nossos ossos que Ele é Deus. Precisa haver silêncio”. É isso que os contemplativos ensinam. O fio comum do tecido que permeia os ensinos da formação contemplativa é que o silêncio e ser um seguidor de Cristo são praticamente sinônimos. Não se pode ter um sem ter o outro. E é claro, este silêncio é induzido através de práticas de meditação, tais como oração interior, lição divina, etc.
Então, o que estamos testemunhando nos incontáveis mestres, autores e líderes é que eles dizem como as pessoas podem se tornar semelhantes a Cristo através de um método que pode ser aprendido. Richard Foster ensina que qualquer pessoa, não somente o crente, pode praticar a oração contemplativa e se tornar semelhante a Cristo [O Cristo de Richard Foster, um guru quaker da Nova Era, é o Cristo cósmico, não o Cristo da Bíblia- MS].
Então, aqui temos a diferença entre um cristão e um seguidor de Cristo. Uma pessoa nascida de novo tem Jesus Cristo morando dentro dela. Jesus mora dentro dessa pessoa. E é a vida de Cristo nele ou nela que dá o poder para que essa pessoa se torne progressivamente semelhante a Ele (santificação), conforme Paulo diz, ao dirigir-se aos cristãos de Corinto, na 2 Coríntios 3:18: “Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor”. O crente recebe sua força e poder de Jesus Cristo (que nele habita) e opera a sua salvação e boas obras a partir de Cristo, conforme diz a Escritura: “Não vem de obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2:9).
Contudo, ser nascido de novo e ser habitado por Jesus Cristo não é uma exigência na Cristandade de hoje. A formação espiritual pode ser praticada por qualquer um. Jesus tornou-se apenas um exemplo a ser seguido e imitado. Por exemplo, Ken Blanchard diz que Jesus é um perfeito modelo a ser seguido. Pr isso é que ele fala tanto e se comporta tanto sobre seguir o Jesus que ele segue. Mas Blanchard tem demonstrado sempre e sempre que ele acredita ser a meditação o fator chave de tornar-se semelhante a Jesus [Este conceito é antigo, sendo agora copiado pelos líderes “evangélicos” do livro ”Imitação de Cristo”, que eu costumava ler quando era católica - MS]
Conquanto Jesus tenha sido e seja um modelo, não foi esta a sua missão principal. E quando as pessoas a Ele se referem como sendo um modelo, é sempre porque elas o vêem como um modelo para obter uma consciência mais elevada em lugar de vê-Lo como o Filho de Deus, Emanuel (Deus Conosco), que veio ao mundo para morrer por nós e ser o nosso Salvador. É isso que se encontra nos escritos contemplativos. Ícones contemplativos como Thomas Merton [católico] e Henri Nouwen vêem Jesus dessa maneira. Daí porque Nouwen disse que fica perturbado quando escuta as pessoas dizerem que Jesus é o único caminho. Ele disse que recebeu a missão de ensinar as pessoas a encontrarem o seu próprio caminho para Deus (Ver a sua Sabbatical Journey). Foi por isso que ele viu a Índia como uma fonte de muitos “tesouros” espirituais para os cristãos (1). Numa religião oriental como o Budismo, Buda foi um modelo a ser imitado pelos seguidores. Mas no Cristianismo o Espírito de Cristo habita em nós através da fé. Então, Jesus se torna mais do que um modelo; Ele é uma presença viva em nós: “Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam”. (Hebreus 11:6).
Esta é realmente a essência de todo o movimento da formação espiritual. Ele, supostamente, ensina como alguém pode se tornar semelhante a Cristo, mas o poder para fazê-lo não provém de Cristo vivendo em nós (de fato, isso não é uma exigência, conforme Richard Foster) e em vez disso, o poder de mudar vem de algum lugar. De onde? Ele vem da meditação! Desse modo, qualquer pessoa, seja qual for o seu modo de viver, seja qual for a sua religião, pode ser um “seguidor de Cristo”. Contudo, isso não significa que tais pessoas tenham Cristo vivendo nelas. O movimento da oração contemplativa está desviando milhões de pessoas no sentido de que se praticarem certas disciplinas poderão tornar-se semelhantes a Cristo, garantindo-lhes, desse modo, bem estar espiritual. Elas podem chegar a acreditar que se tiverem uma consciência crística serão semelhantes a Cristo, mesmo não tendo o verdadeiro poder de Cristo dentro delas. A verdade, porém, é que esse poder só pode provir da habitação do Espírito Santo dentro de nós.
Traduzido e comentado por Mary Schultze
para o CPR, 26/12/2006