O prato (de banalidades) do dia
Minha filhona alemã ficou zangada porque reclamei a falta de notícias e deu uma de ciumenta com meus “filhos” virtuais. Vejam:
“A senhora é realmente a mäe mais malcriada que eu conheco. Além de só encontrar tempo para escrever para os "outros filhos”, quando escreve é para acabar comigo. De repente, os "outros filhos” näo precisam trabalhar 12 horas por dia numa clínica e nem cuidar de uma casa com 4 andares e jardim, sozinhos como eu faço. E nem precisam ir a Chemnitz dar aulas de português de noite, como eu, que estou saindo agora para isso.
Apesar da sua malcriacäo, continuo amando-a”.
Um irmão escreveu ao Pr. Paulo, pedindo o livro de Eric Jon Phelps, “Vatican Assassins”, dizendo que pagará pelo mesmo. Como ele enviou o seu endereço postal, respondi ao pastor:
“Já que temos o endereço do irmão ..., estou remetendo ao mesmo o meu CD, com o livro solicitado e mais uns 20 livros, além de uns 300 artigos, para que ele organize uma boa biblioteca em seu computador. Se ele quiser depositar os $10,00 cobrindo o porte registrado e o disco com embalagem, tudo bem. Se não, Deus vai cuidar do assunto. Afinal, gosto de colaborar com Efésios 3:19-20”.
Minha “filha” Marly enviou aquela história linda do violino de Nicolo Paganini, cujas cordas foram se quebrando, até que restou apenas uma corda e ele, com aquela única, ele fez o recital mais fantástico de toda a sua vida.
“Esta história me fez lembrar meu marido, que ma contou há mais de meio século. O pai dele era violinista na Ópera de Berlim. Ele faleceu em 1982, quando eu estava no primeiro ano do Seminário Teológico Betel, mas, mesmo assim, nunca tirei uma nota inferior a 9. Ia ao seminário bem cedo, depois ao nosso escritório em Copacabana e, quando voltava, ia para o laboratório e trabalhava até altas horas, depois de ter gravado as aulas, para ouvir a matéria, enquanto trabalhava nos produtos de beleza que levavam o meu nome. Almoçava uma pêra e uma maçã em Copacabana, pois não havia um bom self-service onde eu pudesse comer... E nem havia tempo para isso. Jantava uma sopa de carne com legumes e comia uma boa fatia de queijo (não gosto de pão) e uma fruta qualquer. Meu peso, que era 53, baixou para 48, mas sobrevivi. Minhas cordas foram se quebrando e em março de 1986, ou seja, três meses depois de ter deixado o seminário, tive um esgotamento nervoso e perdi 1/3 de minha memória, que era excelente. Deus quis assim porque eu era muito vaidosa. Quando um professor do seminário citava um versículo bíblico do Novo Testamento, eu logo dizia o capítulo e o número da citação, pois havia memorizado a Bíblia nos três primeiros anos após ter-me convertido ao Senhor.
Contudo, mesmo depois de ficar com menos 1/3 da memória antiga e de ter começado a trabalhar na obra do Senhor, com 65 anos de idade, Ele tem me usado assim mesmo. Agora quase só consigo ler letra 14 (e de óculos), esquecendo tudo que eu não deveria esquecer. É que Deus nos usa conforme nossas limitações. Recebo muitos e-mails de irmãos dizendo que têm aprendido muito com as minhas traduções de bons autores fundamentalistas bíblicos. Sempre que chega um e-mail dizendo isso, levanto os olhos para o céu e reclamo: “Senhor Jesus, desse jeito, não vai mais me restar galardão algum aí em cima. Já estou recebendo tantos, aqui mesmo!”
Sinto-me tão feliz com este ministério de edificação dos crentes, usando o ÚNICO dom que Deus me deu - traduzir e escrever fluentemente - que muitas vezes, quando estou orando, de joelhos, antes de escutar minha hora de Novo Testamento na voz do Cid Moreira, eu digo: “Senhor, sou tão feliz! Se o céu for melhor do que minha vida aqui... Não vou agüentar”.
Mary Schultze, novembro 2006