Vítimas do calote

Depoimentos de algumas pessoas lesadas  pela  Igreja Renascer

CALEBE PACHECO, RADIALISTA EM BRASÍLIA, 27 ANOS
"Atraído pelos projetos sociais do grupo, deixei 22 anos de Assembléia de Deus e fui trabalhar com a Renascer. Trabalhava muito, até que percebi que a igreja havia virado uma empresa e não se importava mais com os fiéis. Certa vez o apóstolo anunciou que quem comprasse um CD da banda Renascer Praise concorreria a um carro -- mas o carro nunca foi sorteado. Em 1999 fui demitido, mas não recebi todos os direitos trabalhistas. Processei a igreja, ganhei e até agora não recebi."

PAULO ROBERTO ROSA, FUNCIONÁRIO PÚBLICO EM BRASÍLIA, 45 ANOS (COM A MULHER, MARIA DA GUIA)


"No prazo de poucos meses emprestei nosso nome para a Renascer alugar 12 imóveis, alguns com piscina e em bairros nobres. Vários aluguéis não foram pagos e as cobranças começaram a aparecer. Com vergonha, minha mulher deixou até de atender o telefone. Nosso nome foi parar no SPC. Só agora eles nos procuraram para conversar."
O dinheiro recolhido pelos pastores em todo o Brasil segue diretamente para a sede, em São Paulo. Até o ano 2000, o responsável por cada templo era autorizado a retirar, do dízimo arrecadado, o dinheiro para pagar o aluguel e as despesas. Mas, em janeiro do ano passado, as sedes regionais da Renascer passaram a centralizar toda a receita. "Nós juntávamos tudo e enviávamos para São Paulo. Não sobrava nada para a comunidade local", conta o ex-pastor Duarte, que chegou a fazer uma ligação elétrica clandestina para garantir a luz no templo.
Nas lojas chamadas Point Gospel, instaladas em cada templo, o grande destaque são os livros e discos produzidos pelas próprias empresas dos Hernandes. Na última edição da Marcha para Jesus, o evento que a Renascer organiza todo ano convidando fiéis de várias denominações, 12 das 17 bandas que se apresentaram em São Paulo eram contratadas pela Gospel Records, a gravadora da família Hernandes

 

Cartas dos leitores de Epoca comentando a reportagem
Comecei a ler a reportagem acreditando se tratar de mais uma perseguicao aos evangelicos. Terminei chorando. Pertenci a essa igreja por tres anos, fui cantora, dava meu dizimo e tambem participei dos projetos sociais de Renascer, contribuindo com meu tempo e meu dinheiro. Declaro aqui minha vergonha por todos os fatos registrados em Epoca.
ANA CAROLINA B. ALVES - Sao Paulo, SP

O governo tem de tomar medidas urgentes em relacao a proliferacao dessas igrejas. Parece comprovado que ha lavagem de dinheiro, e pessoas ingenuas sofrem com tal falta de escrupulos.
LAURA TEREZA C. SAMPAIO - Salvador, BA

E' hora de reflexao. O que a revista trouxe a tona e' uma gota no oceano perto das barbaridades que vemos nessas "franquias religiosas".
JANNE RUIZ - Sao Paulo, SP

Sou teologo, filosofo e pastor da Assembleia de Deus. A reportagem expressa a realidade de algumas igrejas evangelicas. Acho que e' preciso fazer uma CPI nas igrejas. Ha' pastores que recebem ate' R$ 20.000,00 por mes, enquanto os fieis passam necessidade. A prestacao de contas das igrejas deveria seguir o mesmo criterio a que as empresas obedecem
PAULO H. G. DOS SANTOS - Brasilia , DF

Sou filha de um ex-pastor da Igreja Renascer. Meu pai era o fiador do salao, pagava o aluguel e ainda recebia pressao para mandar dinheiro a sede todos os meses. Muitas vezes ele deixava de pagar minha faculdade. Quando a igreja fechou, com a divida quase perdemos nossa casa. A Renascer nunca nos enviou um centavo. Durante muitos anos me perguntei que Deus e' esse que obriga filhos de pastores a passar privacoes e ate' mesmo abrir mao de seus sonhos, enquanto os lideres da igreja se refestelam com o dinheiro dos dizimos?
GISELE MORILHA - Votuporanga, SP

Abrir igreja no Brasil tornou-se um negocio como outro qualquer. A culpa e' do governo, que facilita. Doa terrenos, e ha' ate' isencao de impostos.
LUCIA SILVA - Salvador, BA

E' um absurdo o que esses bispos estao fazendo com as pessoas. Nao tem ideia do que um fiel passa para doar o dizimo a igreja
MARCELO MORIAL - Sao Paulo, SP