O Arrebatamento de Nilde
Estou voltando da nossa PIBT, onde assisti, junto com dezenas de irmãos e amigos em Cristo, ao culto fúnebre de agradecimento e louvor a Deus pela vida de nossa querida irmã na fé - Nilde Pacheco da Rosa - a qual foi arrebatada ontem às mansões celestiais.
Nilde era a amiga que mais me edificava com a sua vida. Casada com o presidente da FESO, uma organização educacional muito conhecida e respeitada, ela era tão humilde, tão discreta e tão simples na maneira de se vestir a falar, que poucos irmãos conheciam a sua verdadeira identidade.
Todo domingo, quando a EBD terminava, ela me procurava com aquele sorriso angelical, para me dar um abraço e um beijo, perguntar como eu me sentia e comentar algo que havia lido em minhas apostilas, que ela e o marido sempre recebiam, à medida em que eu ia agrupando as crônicas evangélicas.
Eu amava de coração minha irmãzinha Nilde e tinha muitos motivos para isso:
Primeiro, porque ela era uma verdadeira santa, no sentido cristão mais lato do termo, separada por Deus para ser santificada em sua função de esposa, mãe e avó. Ela era uma cristã muito sincera e fiel ao seu Senhor.
Segundo, ela é irmã de uma das melhores amigas (Marly), que foi também minha aluna de Teologia no Seminário desta cidade e secretária digitadora por quase três anos.
Terceiro, ela não era apenas a “rainha das rosas”, mas também a “Rainha do Rosa”. Seu marido, o Dr. Irineu, é um dos homens mais cultos e inteligentes de Teresópolis, um VIP em todos os sentidos, um educador que ama as pessoas de baixa ou nenhuma renda e tem batalhado para que muitos jovens deste e dos municípios vizinhos possam cursar de graça a FESO, a qual oferece cursos de Medicina, Enfermagem, Ciências Contábeis, Administração, Direito, Informática, Odontologia, Pedagogia, Fisioterapia e Veterinária.
Minha filha Rose trabalha no Departamento do Pessoal e estuda Enfermagem de Alto Padrão na FESO, o que para nós é uma grande bênção do céu, entregue pelas mãos do Dr. Irineu, cujo ideal é ver todos os jovens se formando, a fim de poderem enfrentar a vida com um belo diploma na mão.
Hoje, quando abracei o Dr. Irineu, senti muita gratidão e um amor enorme por ele (do tipo ágape, tão bem explanado na 1 Coríntios 13) e lamentei não ter o poder de neutralizar a sua dor, com os meus dois abraços.
Nilde partiu para um lugar bem melhor do que o nosso. Ali ela jamais vai se preocupar com a violência e os desastres ecológicos que assolam o planeta e estará perto de Deus e do Apóstolo Paulo, cujas cartas ela lia e a quem tanto amava! Sei disso... Porém, mesmo assim, estou muito abalada com a sua decolagem para o céu, pois eu ainda precisava tanto de sua presença em minha vida! Não tanto como o Dr. Irineu precisa, pois ela era a companheira perfeita, da qual ele tanto dependia, para enfrentar os seus dias de solidão e velhice. Na hora da chegada, quando que o abracei, em vez de lhe dizer a frase comum: “Aceite meus pêsames”, ocorreu-me dizer, com voz entrecortada por um soluço, uma das trovas que fiz sobre o Livro de Jó, pois ele é poeta, como eu, se bem que muito mais criativo e sensível:
Minha esplendorosa lira / de negro luto vestiu-se.
Minha alma triste suspira / e meu coração partiu-se!
Eu também poderia ter dito, se tivesse me ocorrido dizê-lo:
Agosto é mês do desgosto, mês que sempre causa a dor,
porém setembro é o oposto,/ na primavera e no amor!
Meu marido morreu no dia 15 agosto de 1982 e foi sepultado no dia 16, quando estaria completando 60 anos de idade. Agosto é mês do desgosto, sim! E “como todas as coisas contribuem juntamente para o bem dos que amam a Deus”, vamos aguardar setembro, quando as flores de Teresópolis estarão mais coloridas e viçosas, e quando a dor da separação será bem mais suave, na esperança de estarmos chegando - Irineu Rosa e eu - mais perto do encontro com os nossos amados, que já partiram para a eternidade! (Romanos 8:28).
Mary Schultze, 12/08/06