O VISITANTE

 

        

    Ele está sempre presente em todos os cultos de nossas igrejas evangélicas. Quando o pastor solicita que os visitantes se levantem, ele o faz de um salto, mas ninguém consegue vê-lo, porque ele é invisível.

         Ele assiste a todas as classes da Escola Dominical e se deleita quando aquele professor, que ficou o tempo todo diante da TV e não preparou a lição, escorrega e fala uma heresia qualquer, tentando responder alguma pergunta feita pelo aluno.

         Ele adora contemplar aqueles jovens que ficam nas últimas filas de banco da igreja, comendo amendoim torradinho, biscoitinhos, soprando palavras amáveis no ouvido da namorada e até lambendo a orelhinha dela, porque isso lhe dá cócegas e ela fica toda eriçada.

         Ele se deleita naqueles crentes que rabiscam as revistas da Escola Dominical, amassam os programas semanais de culto, levantam-se durante o culto para ir ao banheiro, bocejam o tempo todo e ficam pensando em chegar logo em casa para ver o “Fantástico”, porque aquilo sim, é que é programa interessante!

         Ele faz tudo para evitar que os crentes da terceira idade, que ainda não se corromperam com as modernidades da Igreja, ouçam os sermões com alegria, por isso coloca sempre um casalzinho jovem por perto, conversando e se mexendo o tempo todo, para evitar que os “coroas” escutem a mensagem total. Às vezes até arranja uma dor de ouvido, um resfriado, um reumatismo para evitar que os velhinhos encontrem alegria na “Casa de Deus”.

Ele gosta de soprar no ouvido dos crentes:

         1. - Você trabalhou a semana inteira e hoje, em vez de se refazer vai trabalhar na Igreja? Sem essa, amigo! Se já deu o seu dízimo mensal, está garantido para o céu.

         2. - O que? Você tem coragem de ir colaborar na campanha de Missões? Ninguém quer saber de Igreja, não, amigo. Isso é pra velho e gente idiota. Distribuir folhetos? Tá maluco. Vão chamar você de fanático e isso não é nada interessante. Seja moderno. Vá ao clube, ao parque com a namorada ou a família, vá à praia e se é preguiçoso pra sair, veja televisão, que o Faustão, e outros apresentadores de TV aí estão para divertir todo mundo.

3. - Cantar esses hinos antigos e maçantes? Nem pensar. É melhor cantar corinhos em ritmo de rock, que levam ao embalo, você se mexe, remexe e se diverte, enquanto adora a Deus. Deus é eterno, portanto é moderno. Ele gosta de coisas novas e adora a música rock na Igreja, porque ela dá mais vida aos cultos, atraindo a juventude. Rick Warren, meu grande chapa,tantos abe isso que tem cultos especiais para os chamados “buscadores amistosos” e as novas edições da bíblias! Uma delícia!

         Ele pula de alegria, quando o pregador dá uma de erudito, citando teólogos duvidosos, como Kant, Spinoza,  Reimarus, Ritschl, Schleiermacher, Bushnell, do tipo panteísta, além do moderníssimo Paul Tillich, do católico  Hans Kung e outros, afirmando que  o inferno não existe, que o visitante também não existe, que Diabo é sinônimo de maus instintos, que o céu é apenas uma força de expressão. “Porque o inferno é aqui mesmo, quando não se tem Deus. O céu é uma sensação de bem estar. Quando a gente se sente bem e feliz, já está no céu, etc. Pecado? Ora, isso é termo arcaico, usado pelos “Puritanos” do séculos passado!”

         Depois de botar todas essas caraminholas na cabeça dos cristãos, o visitante os leva para uma igreja super-avivada, daquelas em que todo mundo grita histericamente, bate palmas, cai para trás, anda de quatro, uiva como lobo, numa espécie de “Encontro Tremendo”,  com visualização e regressão ao útero materno. Ou então os leva para reuniões da Maçonaria, de Teosofia, de “Pensamento Positivo”, tudo que leva o homem a se considerar um deus, mesmo que seja com letra minúscula. Ele vai repetindo na mente dos tolos: “Suas palavras têm poder!”, “Você é”, “Você pode”, “Você tem toda a força do universo dentro de você”. “Basta imaginar que você é o “Super-Homem” e o Espírito Santo, está aí para lhe dar tudo que você quiser, porque Ele tem obrigação de dar, o que você pedir. Engravide dEle, como Maria, antes de dar à luz Jesus Cristo, e terá o mundo inteiro aos seus pés!”

         Quem não lê a Bíblia diariamente, trocando-a pelos cultos “avivados”, pela TV, pelas fofocas com os vizinhos, por qualquer outro interesse, cairá presa fácil desse visitante, porque ele entra na Igreja e conosco sai, vai para nossas casas e ali fica sempre e sempre nos enchendo a cabeça de novidades. A única arma contra esse visitante é a Palavra de Deus, porque “ela é viva e eficaz e mais cortante do que espada de dois gumes” e ele morre de medo da Bíblia, preferindo os livros complementares. Mesmo porque a Palavra conduz você ao louvor genuíno, à oração, à confissão de pecados, coisas que ele obviamente detesta. E essa bíblia moderninha que você está usando, na qual a divindade de Jesus é negada e também a Trindade? Ele fica feliz da vida ao vê-lo andar com uma dessas bíblias "fajutas" debaixo do braço.

         Meu irmão evangélico, não pense que o visitante jamais entra em sua igreja.  Que ele só tem morada fixa nas igrejas católicas, por causa da idolatria que lá impera. Nos centros de macumba, onde ele reina soberano. Nas reuniões das TJs, dos Mórmons, da Cientologia e de outras "igrejas" desse tipo. Não seja convencido, porque ele entra em todas, da pior até a melhor. Ele entra nas igrejas bíblicas, a fim de atrapalhar. Ele entra e se aboleta nas igrejas super-aquecidas (essas barulhentas que o invocam a todo instante),  para se deleitar. Ele entra e se aboleta em qualquer igreja que não esteja realmente querendo levar almas aos pés de Cristo.  Sabendo que pouco tempo lhe resta (Apocalipse 12:12), o visitante precisa trabalhar dobrado, senão... Como é que ele vai encher o seu querido inferno de almas e atormentá-las por toda a eternidade?

         Só existe um "lugar" onde ele nunca tem possibilidade de entrar e se aboletar.

É na santa, pura e infalível Palavra de Deus, a Bíblia... Ele treme diante da Palavra e quando escuta: "Está escrito",  já entende que perdeu a força, como aconteceu com Jesus, quando Ele tentou desviá-Lo da cruz!

 

Mary Schultze, novembro 2006