Neblinando em minha horta
Tenho observado, sempre que recebo o extrato mensal de minha conta no Bradesco, que alguns irmãos de boa vontade têm creditado pequenas importâncias em minha conta. Não sei quem são esses irmãos porque eles nunca me avisam desses depósitos e quero agradecer de todo o meu coração pela sua generosidade.
Contudo, peço-lhes, encarecidamente, que não enviem ajuda alguma para o meu ministério, o qual deve continuar pequeno e sem respaldo humano, pois assim me sentirei mais à vontade para escrever o que penso, sem ferir a susceptibilidade de algum irmão que, porventura, me tenha prestado ajuda financeira.
E como não sou rica nem famosa, vou dar uma dica a quem tanto deseja me agradar. Se você, meu irmão, quiser provar o seu carinho pela “Mamie Mary”, pode até enviar pelo correio um presentinho, não para a Mary Bíblica, mas para a Mary Fútil, no Dia das Mães, ou no aniversário dela (08/dezembro) e que não seja um presente caro. Pode ser uma caixa de chocolate Ferrero Roucher, um perfume do Boticário (toque acre, masculino, pois odeio perfume doce) ou até mesmo um perfume francês “MaGriffe”, “L’Instant”, de Guerlain, etc. (no caso de ser um irmão rico, é claro!). Mary Fútil gosta de jóias, perfumes e chocolate Ferrero. Mary Bíblica só gosta mesmo de assuntos bíblicos.
Por causa de alguns irmãos generosos, notei que estava “neblinando em minha horta”, mas continuo firme no propósito de não aceitar ajuda financeira, pelo menos enquanto o governo não me reduzir ao salário mínimo, pois antes da tal reforma da Previdência, eu ganhava dez salários e hoje estou com apenas sete, ou seja, dentro de poucos anos - se o Senhor Jesus não me arrebatar depressa - estarei sem dinheiro para pagar o condomínio, a Unimed, o Velox e outras coisas das quais ainda me dou ao luxo de usufruir.
Infelizmente, vivemos num país onde os políticos roubam tanto que os aposentados, depois de terem contribuído durante muitos anos (em meu caso, por 43 anos) para a Previdência, no final da vida ficam reduzidos à maior penúria, porque o dinheiro que deveriam receber de pensão é desviado para os paraísos fiscais, a fim de sustentar a desmedida ambição dos corruptos parlamentares eleitos pelo povo.
Se houvesse políticos honestos neste país eu ainda me daria ao trabalho de votar. Mas como passei dos 70 anos e não quero dar meu voto a um ladrão qualquer, fico em casa ouvindo música erudita, enquanto os ouvidos estão escutando normalmente. Pois, quando passar dos 80 anos (se é que isso vai acontecer), provavelmente estarei surda e reduzida ao salário mínimo, dependendo de minhas duas filhas para sobreviver, o que seria um absurdo, em se tratando de uma serva do Senhor Jesus Cristo, Criador e Sustentador do universo! (Hebreus 1:3).
E como Romanos 8:28 é o meu lema de vida, vou esperar que aconteça algum milagre e o povo consiga eleger algum político honesto, que não esteja envolvido no Mensalão, e nos inúmeros escândalos que têm aparecido na mídia, envolvendo 99 entre cada 100 parlamentares brasileiros. Mary Schultze.