Malabarismos Malaquianos
Ontem (06/08/06) fui assistir ao culto matinal numa igreja metodista desta cidade, onde estaria pregando um ex-padre católico, agora Pr. L. C.
Ele pregou sobre “Mordomia Cristã” e se saiu muito bem. Conversamos amistosamente depois do culto e comprei o CD que ele gravou para ser vendido após as suas pregações, o qual contém exatamente as três palestras do seminário para o qual ele foi trazido a Terê.
À noite, ele falou sobre “Ofertas” e hoje à noite deve falar sobre “Dízimos”. Vim para casa, após a pregação matinal de ontem, com uma boa impressão do pregador... Mas depois de escutar no CD a segunda e terceira partes do seminário, fiquei realmente decepcionada com o mesmo.
Para não ser injusta, vou comentar por alto o que ele falou de bom no culto da manhã de ontem.
Mordomia Cristã - Ele ensinou os ouvintes da igreja a cuidar bem de tudo que Deus nos dá. Cuidar bem do corpo, que é o templo do Espírito Santo. Ter cuidado com a língua, evitando palavrões, fofocas e maledicência. Cuidar bem do cônjuge, cuidar bem dos filhos, lendo a Palavra para eles e fazendo o culto doméstico, evitando xingá-los (para não deixá-los com algum complexo de inferioridade), evitando que vejam filmes ocultistas na TV, pois os satanistas usam esses filmes para destruir nas mentes infantis o temor de Deus. Fazer com que eles acompanhem os pais à igreja, pois a educação familiar anda muito banalizada ultimamente entre os pais crentes, que deixam os filhos à mercê do secularismo, etc. Sem citar a 1 Timóteo 5:8, ele falou exatamente sobre o que Paulo admoestou nessa passagem: “Mas, se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé, e é pior do que o infiel”.
Ele também ensinou o crente a valorizar o emprego que tem, sendo honesto com o patrão. A gastar o dinheiro recebido com coisas absolutamente indispensáveis e não superficiais, evitando entrar nas chamadas liquidações, onde o pecado do consumismo leva o crente a comprar coisas desnecessárias, com a ilusão de estar economizando... Coisas que muitas vezes nunca são usadas...
Dedicar menos tempo à TV e mais ao estudo da Bíblia e à oração. Remir o tempo, pois o estudo da Palavra é que leva o crente a se tornar um cidadão perfeito, etc. (Aqui ele usou a 2 Timóteo 3:16,17 sem citar a passagem).
Importante é levar sempre os filhos à igreja e cuidar bem do pastor, que é o “anjo da igreja” e não apenas um funcionário dos crentes. Ele exaltou demais o papel do pastor, usando talvez essa maneira para agradecer o convite para realizar um seminário nessa igreja... Que é boa, apesar dos “propósitos”...
Algumas passagens bíblicas foram lidas para concluir essa parte do seminário:
Jeremias 1:12: “E disse-me o SENHOR: Viste bem; porque eu velo sobre a minha palavra para cumpri-la”. Filipenses 4:19: “O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus”.
2 Coríntios 8:9: “Porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre; para que pela sua pobreza enriquecêsseis”.
Ele usou um pouco da “teologia da prosperidade” para explicar o que Deus “quis dizer” com essas passagens. Não a pregou claramente, mas apenas veladamente.
Eis o resumo da pregação de uma hora, cheia de otimismo, e até de sadio humorismo, durante a qual os ouvintes (inclusive eu) riram bastante pela maneira carismática com que ele nos apresentou os itens acima. Agora vamos à segunda parte do seminário, conforme escutei no CD (R$15,00) adquirido.
Ofertas - Aqui o nosso pregador abusou um pouco da Palavra, usando versos completamente fora do contexto, a fim de canonizar o ato de ofertar na igreja. Ele começou dizendo textualmente que quem quiser ser abençoado que dê boas ofertas.
Contestação: Não é ofertando que somos abençoados; é amando ao próximo e vivendo uma vida reta diante de Deus e da comunidade. (Gálatas 5:14)...
Ele leu Juízes 6:18 para explicar que Gideão fez uma oferta sacrifical, conforme o desejo divino e as instruções de um anjo, e por isso conseguiu vencer os 135 mil midianitas com apenas 300 homens.
Contestação: Gideão venceu os midianitas porque foi essa a vontade de Deus e não por causa da sua oferta sacrifical. Os pastores malaquianos teimam em usar o Velho Testamento, a fim de comprovar doutrinas totalmente fora do contexto da Igreja. É uma bela maneira de convencer os crentes a fazerem o que eles querem, desprezando, assim, o que Jesus falou em Lucas 16:16: “A lei e os profetas duraram até João; desde então é anunciado o reino de Deus, e todo o homem emprega força para entrar nele”.
Ele citou ainda a passagem de 2 Reis 3:20: “E sucedeu que, pela manhã, oferecendo-se a oferta de alimentos, eis que vinham as águas pelo caminho de Edom; e a terra se encheu de água”, explicando que os reis que iam para a guerra, e estavam sem suprimento algum de água no caminho de Edom, só conseguiram aquela abundância hidráulica depois que fizeram uma considerável oferta sacrifical (de alimentos) ao Senhor.
Contestação: Mais uma vez o pregador usou o Velho Testamento para comprovar uma narrativa absolutamente judaica, querendo provar que quem faz uma boa oferta sempre consegue milagres, o que nada tem a ver com a igreja.
Depois ele citou Lucas 6:38, para comprovar que quem mais dá mais recebe: “Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando, vos deitarão no vosso regaço; porque com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo”.
Contestação: Ele esqueceu que Jesus não estava falando para os gentios (os quais Ele iria deixar aos cuidados de Paulo) e sim, para os judeus, e também que Ele estava se referindo aos assuntos morais (como perdoar) e não financeiros, conforme o contexto em que o verso está inserido. Como sempre, os pregadores malaquianos abusam dos textos fora do contexto, a fim de comprovar suas exigências de ofertas e dízimos, o que não é justo, pois assim estão ludibriando a boa fé dos ouvintes.
Outra passagem citada foi Mateus 13:12: “Porque àquele que tem, se dará, e terá em abundância; mas àquele que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado”, com objetivo de comprovar a necessidade de o crente ofertar generosamente.
Contestação: Mais uma vez o pregador usou uma passagem completamente fora do contexto, pois aqui Jesus estava explicando a Parábola do Semeador, referindo-se à pregação do Evangelho e não às riquezas materiais.
Mas a passagem mais sacrificada na pregação a favor das ofertas foi Mateus 15:26: “...Não é bom pegar no pão dos filhos e deitá-lo aos cachorrinhos.”
O pregador disse que “os filhos” a quem Jesus se refere aqui somos nós, os crentes. Que devemos dar o melhor para Ele e não migalhas, como se costuma dar aos cachorrinhos, pois quem dá migalhas só merece receber migalhas, também etc.
Contestação: Jesus estava pregando aos judeus, os quais Ele chama “filhos”, enquanto os gentios Ele chama “cachorrinhos”. Sim, antes do Calvário, os gentios eram apenas “cachorrinhos” para Jesus, porque eram pagãos não salvos e, portanto, ainda não eram “filhos”. Em João 1:12, lemos “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome” . Esta passagem deixa bem claro que somente depois do Calvário, os gentios que receberam Jesus se tornaram “filhos de Deus” e não antes.
Mais três passagens foram usadas para comprovar a obrigação de o crente dar ofertas à igreja - Marcos 12:41-44: “E, estando Jesus assentado defronte da arca do tesouro, observava a maneira como a multidão lançava o dinheiro na arca do tesouro; e muitos ricos deitavam muito. Vindo, porém, uma pobre viúva, deitou duas pequenas moedas, que valiam meio centavo. E, chamando os seus discípulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta pobre viúva deitou mais do que todos os que deitaram na arca do tesouro. Porque todos ali deitaram do que lhes sobejava, mas esta, da sua pobreza, deitou tudo o que tinha, todo o seu sustento”.
Esta é a passagem mágica dos cobradores de ofertas.
Primeiro, o pregador afirmou que Jesus se sentou diante do gazofilácio para ver quem dava ofertas; que Ele convidou o povo para ofertar, pois se preocupava muito com as ofertas (???). Segundo, que Ele ficou tão maravilhado com a oferta da viúva - de tudo que ela possuía - que provavelmente ela, a partir desse dia, nunca mais foi pobre, pois “é dando que se recebe”, etc.
Contestação: Jesus não se sentou diante do gazofilácio para ver quem dava mais ou quem dava menos. Ele jamais se preocupou com ofertas materiais, pois os judeus foram agraciados com a promessa de bens materiais (feita a Abraão e sua descendência), caso andassem na linha (os gentios são agraciados com bênçãos espirituais, segundo Efésios 1:3). Usar a passagem da viúva pobre para provar que Jesus estava preocupado com ofertas é torcer a Palavra de Deus. Jesus mostrou o desprendimento de dar e não a necessidade de ofertar e mesmo que o tivesse feito, Ele falava dos judeus para os judeus e não para a igreja. Os mandamentos de Mateus foram dados por Jesus para os judeus. Os mandamentos para os gentios Ele encarregou Paulo de no-los entregar e estes estão contidos nas epístolas paulinas. Já expliquei antes o porquê dos pregadores malaquianos não usarem o Evangelho de Paulo: porque suas doutrinas não dão lucro.
Outras passagens lidas para comprovar como é abençoado quem dá ofertas generosas foram as de 2 Crônicas 1:6,7,12 - nas quais segundo o pregador, Salomão foi agraciado com muita riqueza e sabedoria simplesmente porque ofereceu mil vítimas perfeitas num holocausto ao Senhor, etc.
Contestação: Realmente, Deus supriu Salomão de muita riqueza porque o seu pai Davi havia sido “um homem segundo o coração de Deus”, tendo guerreado contra todos os inimigos de Israel, suprindo a omissão cometida por Josué e os sucessores deste. O filho estava colhendo o que o pai havia plantado, inclusive toda a terra prometida de Israel, conforme a promessa feita a Abraão. Salomão nem soube usar totalmente a sabedoria que Deus lhe deu, pois casou com mulheres pagãs (a começar da primeira esposa, filho do rei do Egito), teve mil mulheres (700 esposas e 300 concubinas) e fez uma porção de bobagens, tendo permitido que a idolatria entrasse no seu reino. Salomão foi o tipo exato do judeu que recebe bênçãos materiais, mas não sabe usá-las, permitindo que Deus se decepcione com ele, como sempre tem se decepcionado ate o dia de hoje. Mesmo com toda a sua proverbial sabedoria Salomão fez bobagens!!!
O pregador frisou que Salomão usou pregos de ouro na construção do Templo, porque quis dar o melhor para Deus, portanto o crente tem de dar, também, o melhor... Mas que adiantaram para Deus esses pregos de ouro, se depois Salomão se corrompeu com suas mulheres pagãs? Deus quer a pureza do coração e da alma... As ofertas materiais não são importantes para Ele.
Dízimos - Se o pregador abusou um pouco da Palavra no assunto das ofertas, aqui no assunto dos dízimos ele, simplesmente, falou uma porção de heresias, as quais me deixaram perplexa. Uma das coisas que ele falou e até repetiu foi que “o crente não dizimista é amaldiçoado e perde a salvação”. E usou Paulo para comprovar essa heresia, dizendo que “se os ladrões não entram no reino de Deus e o não dizimista é um ladrão, então ele não pode entrar no reino de Deus”. Vejam que sofisma tenebroso!!! Cheira a jesuitismo!
Como todo pregador malaquiano (daí o termo), ele começou lendo Malaquias 3:8-12:
“Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas. Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, sim, toda esta nação. Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes. ... E por causa de vós repreenderei o devorador, e ele não destruirá os frutos da vossa terra; e a vossa vide no campo não será estéril, diz o SENHOR dos Exércitos. E todas as nações vos chamarão bem-aventurados; porque vós sereis uma terra deleitosa, diz o SENHOR dos Exércitos”.
Vou comentar os versos 8-10, usando um dos meus vários trabalhos embasados no livro do escritor americano Richard Garganta, “The Truth About Tithing”, por mim traduzido sobre o dízimo:
Malaquias 3 é uma peça de “bruxaria cristã”?
Dar o dízimo é pecado?
Malaquias 3:8-12 tem sido rotineiramente retirado do contexto e usado como maldição, numa espécie de ”bruxaria cristã”, pelos pastores ambiciosos e manipuladores, alguns deles cegos pela ignorância bíblica. Malaquias foi escrito para um Israel que existia sob a lei. O dízimo era agrário e não baseado na renda. Israel havia se tornado relapso, os sacerdotes não faziam o seu trabalho, os sacrifícios eram corrompidos e rejeitados por Deus, com o povo negligenciando totalmente as leis matrimoniais e a manutenção e restauração da Casa de Deus. Já não se faziam sacrifícios aceitáveis.
Usar Malaquias como “maldição” contra pessoas salvas, que confiam no perfeito sacrifício de Cristo, pessoas que respeitam o matrimônio e não estão negligenciando o templo do Novo Testamento (ou seja, o seu corpo e condição espiritual), nem faltam às reuniões do “Corpo de Cristo”, é aplicar erroneamente a Palavra de Deus, visando lucro financeiro. Vejam o que declara o autor de um bestseller sobre o dízimo obrigatório, por crassa ignorância da Palavra, ou por pura ambição:
”Todo cristão que não está honrando Deus com o dízimo é culpado de estar roubando-O; está vivendo sob uma maldição e ficará na escravidão financeira, até que obedeça a Palavra de Deus e comece a dizimar. O dízimo quebra a maldição.” (“God’s Financial Plan”, Norman Robertson, p. 61, #12).
Esse malaquiano é quem deveria ser amaldiçoado por torcer de tal maneira a Palavra Santa. É isso que um pregador deve dizer a uma pessoa salva? O sacrifício de Cristo não foi suficiente? Será que Cristo removeu todas as maldições, menos a maldição financeira? Isso é um tipo de condenação à indução pelo medo, a qual é opressora, negativa e totalmente antibíblica. Esta declaração mistura a lei com a graça, deixando de manejar corretamente a Palavra da Verdade, constituindo-se em pedra de tropeço, não sendo um artigo de fé e, portanto, sendo um pecado.
Recentemente escutei um ministro lançar essa despropositada maldição de Malaquias à igreja, declarando que estava cansado de ver a igreja dele carente das bênçãos de Deus, por causa dos ladrões que freqüentavam a igreja e não dizimavam, dando somente ofertas... de procedência duvidosa. Será que esse ministro iria recusar todo o dinheiro desses “ladrões não dizimistas”? Por que iria ele participar de sua “ladroagem e pecado”, aceitando o dinheiro de uma “fonte corrupta?” (Malaquias 1:10; Amós 5:22) ...
Para estar certo de que não haveria engano na lei do dízimo agrário sob a lei, cada hebreu tinha de fazer uma declaração de honestidade perante o Senhor (Deuteronômio 26:13-15). Essa declaração obrigatória também especificava que o dízimo havia sido dado honestamente “... ao levita, ao estrangeiro, ao transeunte, ao órfão e à viúva”.
Se um crente está vivendo uma vida fora dos preceitos bíblicos, ou dizimando erroneamente, isso de nada lhe aproveitará, pois Deus não compactua com fraudes.
Devemos manejar corretamente a Palavra da Verdade. A 1 Coríntios 13 esclarece: “E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria”. Esse é o amor ÁGAPE. Declaro que quem dá com o propósito de receber está impropriamente motivado, pois não está dando com amor ÁGAPE. Devemos dar por amor, porque isso é correto. Tudo que recebemos de Deus é pela GRAÇA, através da fé em Jesus Cristo e Ele jamais nos ensinou a nos basearmos em obras (Lucas 18:9-14). A Escritura ensina que Deus não aceita ofertas de pessoas que vivam desonestamente e que não dêem com espírito reto. (Malaquias 1:10; Amós 5:22, 1 Coríntios 13:3).
O Novo Testamento sempre aperfeiçoa a lei. Ele nos ensina que a intenção é mais importante do que a regra. Segundo nos esclarece a 1 Coríntios 13, TUDO que é dado com falsas intenções de lucro resulta em NENHUM lucro individual. As promessas de Deus são de fé e esperança; portanto, dar sem amor ÁGAPE é um esforço sem resultado algum. Alguém pode crer e esperar boas coisas do Pai Celeste, quando dá sem o objetivo de receber. Isso para evitar que esse ato se torne centrado em obra. Uma coisa é certa: tudo que afeta a perfeita obra de Cristo não provém de Deus. (Lucas 18:9-14).
Aos membros de igrejas malaquianas, cujos pastores vivem falando de oferta das primícias, aqui vai um esclarecimento:
O Dizimo antes e durante a lei jamais foi a mesma coisa que a chamada oferta das primícias. Muitos mestres do dízimo obrigatório confundem o dízimo com as ditas. Por não saberem manejar corretamente a Palavra da Verdade, muitas passagens da Escritura (com relação a dar as primícias) são mal aplicadas, a fim de darem suporte à doutrina do dízimo obrigatório. A oferta das primícias acontecia quando os israelitas traziam (como oferta) a primeira porção dos frutos colhidos. Era uma petição pelas colheitas futuras, as quais, posteriormente, seriam dizimadas. Era uma forma de compromisso de que os dízimos das colheitas seriam entregues. A oferta das primícias nunca foi dizimo, antes nem durante a vigência da Lei Mosaica.
Os mais famintos pelos dízimos e ofertas são os pastores que pregam a teologia da prosperidade, a qual somente funciona para eles mesmos.
A obra de Cristo não deve ser vista como uma promessa de que seremos bem sucedidos e nos tornaremos ricos.
Certa vez o pastor de uma igreja “avivada”, muito conhecido aqui em Teresópolis (RJ), foi pregar no seminário onde eu lecionava Inglês e Teologia Sistemática. À medida em que ele ia falando, eu já sabia a próxima sentença que ele iria dizer. É que ele estava “papagueando” nada menos que o capítulo de um livro que eu acabara de ler. Tanto que no final da “pregação”, ele falou: “Icabode!”, exatamente a última palavra do tal capítulo.
Para alguns pregadores o Cristianismo dos tempos atuais parece nada mais do que um bolo de sucesso com uma camada de cobertura cristã. Para eles “a riqueza é igual à piedade’. E a falta de riqueza é igual a “maldição”. Mas vamos ler Tiago 1:9-11: “Mas glorie-se o irmão abatido na sua exaltação, e o rico em seu abatimento; porque ele passará como a flor da erva. porque sai o sol com ardor, e a erva seca, e a sua flor cai, e a formosa aparência do seu aspecto perece; assim se murchará também o rico em seus caminhos”.
Esses arrogantes mestres da prosperidade olham para os pobres, esquecendo que a maior fatia do seu dinheiro provém dos baixos salários do trabalhador, em geral iletrado e fácil de ser manipulado. Tal arrogância, muitas vezes, os leva a acreditar que “Deus sempre se encontra onde o dinheiro está fluindo”. Esses lacaios da doutrina da prosperidade pensam assim: “Ora, se eu estou faturando tanto dinheiro, isso só pode ser de Deus!”
Vamos repetir: Dar o dízimo com segundas intenções, conforme é praxe entre os membros das igrejas malaquianas, achando que Deus terá obrigação de retribuir o dito com bênçãos materiais e espirituais, é um grave pecado. Porque Deus não é comerciante para trocar mercadoria, nem quitandeiro para pesar as frutas e legumes e cobrar o equivalente em valor. Ele é Soberano e disse a Moisés: “Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece”.
Se você, meu irmão, tem dado o dízimo pensando receber algum favor divino, isso é obra morta e Deus odeia esse tipo de coisas. As obras foram abolidas desde a morte de Cristo no Calvário, onde Ele nos deu a salvação, creditando-nos todas as bênçãos espirituais, segundo Efésios 1:3.
Dê ofertas com o coração cheio de amor e gratidão pela bondade e misericórdia de Deus e nunca tentando comprá-Lo, pois o Seu favor não está à venda. Dê ofertas para sustentar as despesas da igreja, ame seus irmãos em Cristo, preste muita atenção nos sermões do pastor, cante belos hinos para louvar e glorificar o Senhor, que o melhor ELE vai fazer, com toda certeza!
O Pr. L.C. continuou a defender a obrigação do crente dar ofertas e dízimos... mas já cansei de falar sobre estes assuntos. Ele disse que é proprietário de três lojas e uma ilha, no Mato Grosso. Pergunto: Será que ele dá o dízimo sobre os lucros de suas três lojas, sobre a venda dos CDs nas igrejas e sobre o aluguel de sua ilha aos turistas, que passam fins de semana naquele recanto paradisíaco?
Quanto aos versos 11 e 12, de Malaquias 3, o pregador cometeu novamente uma imprudência, adaptando a promessa de recuperação feita a Israel (para o Reinado Milenar de Cristo, o Messias) como se fossem dirigidas à igreja. Será que ele não entendeu ainda que estes dois versos: “E por causa de vós repreenderei o devorador, e ele não destruirá os frutos da vossa terra; e a vossa vide no campo não será estéril, diz o SENHOR dos Exércitos. E todas as nações vos chamarão bem-aventurados; porque vós sereis uma terra deleitosa, diz o SENHOR dos Exércitos”... são exclusivamente endereçados a Israel, assim como todo o livro de Malaquias, e não à igreja? Por acaso os crentes poderiam ser chamados de “terra deleitosa?” Serei eu deleitosa? Esses malaquianos continuam usando a teoria de Agostinho de Hipona - que a igreja é a Israel de Deus! Será que eles não entendem que o Israel de Deus ao qual Paulo se refere em Gálatas 6:16 é o país Israel e não a Igreja? Leiam o verso direito, segundo a BKJ/FIEL: “... peace be on them and mercy, and upon the Israel of God”.
Mary Schultze, 07/08/06