Malabarismo Lingüístico

 

Um amigo de Joanesburgo, África do Sul,  por quem tenho o maior carinho (mesmo depois que ele perdeu a fé em Cristo) e por quem oro todos os dias, de manhã e à noite, pedindo que Deus o faça voltar aos retos caminhos bíblicos,  leu o artigo “O Frágil Pastor...’” e os dois poeminhas lhe enviei  pela Internet, hoje cedo.

Bem depressa,  ele veio com as perguntas típicas de quem, mesmo tendo uma cultura muito acima da minha (é perfeito em Português e Inglês), está sempre querendo aprender mais.

Pergunta: não entendi a palavra "álacre"...

Resposta: Álacre = alegre

Alacridade = Qualidade do que é álacre.

Botei essa palavrinha só para chatear o pastor, pois ele deve ter a maior preguiça de consultar o nosso Dicionário Aurélio!

Pergunta: “a Letra "G" cheira tanto, / que só um botão de rosa!” ... Mas não haveria uma flor com nome começando por "G" (para coincidir)? [Ele quis dizer: rimar).

Resposta: O problema não era a flor, mas a rima:

Veja um exemplo:

 “Velho mundo, velho mundo,

se eu me chamasse Raimundo...

Seria uma rima...

Mas não uma solução!”

(Drummond de Andrade).

Pergunta: Gostei demais, mas o que é "crocante"? Brasileirismo?

Resposta: Crocante = um neologismo criado em relação a "croca", uma peça de charrua, ou a uma mulher que bate nos filhos, significando uma coisa que a gente mastiga e faz um barulhinho de que está sendo despedaçado.

Ser crocante é uma qualidade típica das nozes; por exemplo, a noz importada no Natal, a castanha de caju ou o amendoim torrado, que a gente mastiga e fazem um barulhinho gostoso na boca. Não é meu esse neologismo... É muito comum nas propagandas de chocolates e biscoitos.

 

         Ao contrário do meu amigo de Joanesburgo, o grande mal dos brasileiros é a falta de leitura. Infelizmente, temos agora um presidente que diz: “ler é muito chato”, imaginando que para ser presidente neste país basta ter cultura nenhuma, um dedo a menos e muita lábia sindical... Então o que vai ser da nossa juventude no futuro?

Nas provas do ENEN (minha filha Rose contou por telefone), alguns alunos cometeram erros tão crassos no vernáculo, quase inacreditáveis.

         Exemplo: Sobre educação, um deles escreveu:

Edifíciu entrar numa facuudade neste paíz!

         Outro escreveu: O Brasil é um paíz farturento!

Outro escreveu: “Ece açunto eu não sei expricá.

“Ach Du, Mein Gott!”, diria Lutero, empunhando a sua caneca de “Bier”.

 

Mary Schultze, 28/08/06

style="font-size: 12pt">Mary Schultze, 28/08/06