Desastre Aéreo
(Parábola)
Aeroporto de Manaus - Um rapaz de 20 anos aguarda a chamada para embarcar. Uma grande multidão se encontra no aeroporto. Duas freiras católicas, que davam assistência religiosa numa colônia dos sem-terra, estão embarcando e como ficaram muitos anos na Amazônia, trabalhando e “evangelizando” o povo ribeirinho com a Teologia da Libertação, estão recebendo muitos abraços dos amigos que ali vão deixando.
O nome do rapaz é Cláudio. Ele esteve preso durante alguns anos por causa de um crime cometido por assassinato, quando estava sob o efeito de drogas. Lá na prisão conheceu um pastor evangélico, que lhe deu de presente uma Bíblia Trinitariana e toda semana vinha conversar com ele, ali na prisão, falando do infinito amor de Jesus Cristo pelos homens. O rapaz foi tocado pelas verdades bíblicas e se converteu. Agora, saindo da prisão, estava regressando à sua terra natal, o Ceará, com a intenção de dedicar-se ao ministério da Palavra. Pretendia cursar um bom seminário teológico, com a intenção de fazer pelos incrédulos e católicos o mesmo que aquele pastor havia feito por ele. Como era bom ser crente em Jesus Cristo! Sua alegria era tanta, que mal podia respirar. Sua cabeça estava cheia de planos maravilhosos!
Todos os passageiros haviam embarcado e as duas freiras sentaram-se exatamente ao lado do moço. Ele se apresentou e contou logo a sua história, pois era conversador e simpático, e logo se estabeleceu uma boa amizade entre eles. As duas freiras começaram a perguntar sobre os seus planos futuros e quando ele disse o que pretendia fazer, elas deram uma risadinha de incredulidade.
Depois de uma hora de vôo, as freiras lhe contaram tudo o que haviam feito pelos descamisados “sem-terra”, e por isso esperavam receber um prêmio especial, que seria uma visita a Roma, para ver de perto o “Santo Padre” (Ratzinger) e dele receber uma carta de “indulgências plenárias”! Estavam se aposentando. Haviam trabalhado muitos anos para a sua Igreja, sem remuneração alguma, a não ser casa e comida, por causa do seu voto de pobreza. Agora iriam voltar ao convento das F.S.T.C., no Ceará, e continuariam a “evangelizar” os pobres, a serviço da “santa madre”, mesmo sem ter mais obrigação alguma. Haviam se habituado a dar-se de si mesmas, certas de que a “Virgem Santíssima” lhes daria uma bela coroa lá no céu, quando morressem. Mesmo porque no primeiro sábado ela iria retirá-las do purgatório, para onde seguem todos os católicos, após a morte (até mesmo os “santos padres”, pois precisam purgar o preço dos pecados mortais e veniais, mesmo já os tendo confessado e recebido o perdão dos padres). Elas eram devotas de “Nossa Senhora do Carmo”, usavam o escapulário, rezavam piedosamente o terço do rosário, jejuavam na Semana Santa, abstinham-se de carne às sextas feiras, e faziam tudo para agradar os padres, em cuja paróquia haviam trabalhado. Eram, portanto, católicas devotas, fiéis à sua Igreja, e na certa seriam recebidas lá em cima pela “Santíssima Virgem”. Sua Igreja sempre garantia ser a única igreja verdadeira, que poderia dar salvação... Portanto elas estavam garantidas.
O moço tentou argumentar que “boas obras” não salvam ninguém, abriu sua Bíblia e leu para elas Isaías 64:6, Efésios 2:8-9, Romanos 3:23, 6:23, 10:9-10, e por aí a fora. Elas riram da “ingenuidade do moço protestante” que tinha a coragem de discutir com elas, duas freiras tão santas, que não precisavam da Bíblia, pois tinham uma boa Advogada no céu - a Virgem Maria, Mãe de Deus! Cláudio se sentiu frustrado, porque na prisão havia conduzido um colega a Cristo, mas agora estas duas freiras eram mais duras do que aquele companheiro encarcerado! Ah! Se ele pudesse ganhar essas duas freiras para Cristo seria bom demais! Ele já as amava de verdade. Eram tão simpáticas, tão alegres, tão obsequiosas!
De repente, algo aconteceu: Um avião “Legacy” bateu na asa do Boing 727 e este começou a girar, rodopiou bastante, explodiu e caiu no mar. Ninguém se salvou. Eram 154 passageiros que agora iriam comparecer diante do Supremo Juiz. Logo que bateram nas águas do mar, as duas freiras e o ex-presidiário sentiram-se levantados por jovens formosos e robustos, vestidos de túnicas brancas e brilhantes. Foi aí que se deram conta de que estavam voando para o infinito...
Chegando lá, compareceram - primeiro o rapaz - diante do trono do Juiz Supremo do universo - Jesus Cristo. Ele olhou docemente para o ex-presidiário e falou com aquela voz magnífica: “Bem está, bom e fiel servo. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor” (Mateus 25:23). Logo em seguida, o anjo trouxe as duas freiras diante do Juiz Jesus Cristo. Ele as olhou e disse, com voz forte e inapelável: “Apartem-se de mim... para o fogo eterno” (Mateus 25:41). E quando estranharam esse tratamento implacável, perguntaram em que haviam falhado. Jesus, então, lhes respondeu: “É verdade que vocês trabalharam arduamente em favor dos pobres e oprimidos, mas não por amor a Mim... Fizeram isso pela sua Igreja e Igreja não salva ninguém. Boas obras também não salvam. Nem mesmo Maria, minha mãe terrena, que já está na glória, aguardando a ressurreição do corpo, pode fazer algo para ajudar vocês. Por que não leram a Bíblia? Por que confiaram numa Igreja que prega somente lendas e mitos, em vez de pregar a minha Palavra? O Purgatório não existe. Saiam da minha frente. Estou cansado dessas igrejas que vendem salvação (e também das pregam células e propósitos) em meu nome, quando eu já paguei todo o preço pelos pecados. Eu só quero que alguém se arrependa dos seus pecados, se entregue a mim, em fé e verdade, seja honesto e viva feliz. Ter comunhão comigo é ter vida abundante em todos os sentidos, lá na terra e aqui no céu, para sempre”.
E foi assim que as duas freiras cearenses, que tanto labutaram para agradar a Virgem Maria e o Papa Ratzinger (que os alemães costumam chamar “Nothinger”), por causa de um “Legacy” maluco e de uma ilegalidade mariana religiosa, foram lançadas impetuosamente, por dois anjos, num lugar tenebroso, de onde a “Virgem Santíssima” não tem o poder de retirá-las!
Texto inspirado no livrete “Flight 144”, de J. T. Chick
Mary Schultze, novembro 2006