Compressas de “Cravolon”
Quando eu era empresária na linha de cosméticos, vendia aos salões de beleza um produto chamado “Cravolon”. Era uma loção alcalina, feita com água destilada, glicerina, trietanolamina, essência de flor de laranjeira, etc. Aplicada sobre a pele do rosto, em compressas de algodão hidrófilo, “Cravolon” amolecia os cravos e espinhas, facilitando a extração dos mesmos. Aplicada em compressas nos pés, “Cravolon” amolecia os calos e facilitava a remoção dos mesmos, quando se fazia uma pedicura. Era um produto muito apreciado pelos profissionais do ramo de beleza e era vendido em todo o Brasil.
Acordei hoje de uma noite agitada, às 4 horas da matina, perdi o sono e, de repente me lembrei de “Cravolon”, por ter escutado ontem uma história triste contada por minha filha Rose, universitária de Enfermagem na FESO.
Existe nesta cidade uma empresária comercial - com uma fortuna avaliada em quase dez milhões de Reais - a qual é tremendamente infeliz. Certa vez ela me negou um desconto de R$7,00 numa compra de Natal, mesmo eu já tendo comprado em suas lojas mais de R$5 mil, desde que mudei para esta cidade. Ela é rica, mas não conhece a felicidade, pois tem dois filhos extraviados no mundo e nos vícios e somente sentia prazer na filha, uma jovem cristã que vivia freqüentando algumas igrejas “avivadas”.
Muitas vezes encontrei essa jovem, em sua loja de adereços, e conversei com ela. Sabia que era imatura na fé, sempre em busca de bênçãos materiais, deixando de pregar o evangelho aos clientes de suas três lojas. Sua mãe costumava freqüentar a IURD e quando um dia lhe indaguei se não se sentia constrangida com tanta petição de dízimos e ofertas, naquela empresa religiosa, respondeu com um sorriso sarcástico: “Não dou um centavo àquela igreja e só a freqüento para aprender com os pastores a faturar muito dinheiro!”... Isso me deixou claro que ela ainda não era convertida!
A filha costumava me fazer perguntas sobre a Bíblia, eu respondia e sempre a convidava para vir até minha casa, se quisesse aprender mais um pouco, garantindo que jamais iria lhe cobrar um centavo pelas explanações bíblicas, etc. Mas ela nunca veio. Ultimamente, quando a encontrava na rua, ela me parecia um tanto aérea, como se não me conhecesse, o que me deixou preocupada, pois é uma jovem alta, loura e bonita, que faz lembrar minha filha alemã.
As almas dessa jovem e de sua mãe ficaram engordaram de tal maneira de bens materiais, que seria bom que elas recebessem uma boa compressa de “Cravolon”, lendo a Palavra Santa, para desengordurá-las e poderem entender o que o Espírito Santo nos ensina contra o perigo do amor ao dinheiro, através do Senhor Jesus e do Apóstolo Paulo. Jesus disse, em Mateus 6:19-21, 33:
“Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração... Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”.
Que adianta freqüentarem igrejas malaquianas, achando que Deus vai abençoá-las com muito mais dinheiro, se não buscam a única bênção real que é o “crescimento na graça e no conhecimento do Senhor?” (2 Pedro 3:18).
Ontem minha filha contou que havia recebido uma informação estarrecedora sobre a jovem, através de uma colega, que é enfermeira no departamento de Oncologia em um dos hospitais da cidade. A jovem filha da milionária comerciante está com câncer em último estágio e provavelmente tem pouco tempo de vida.
Fiquei tão arrasada com a notícia que não consegui dormir bem esta noite, tendo tido pesadelos e acordado de madrugada com uma tremenda sensação de impotência. Escutei uma hora de Gálatas, Efésios e Filipenses (minhas cartas favoritas) na voz do Cid Moreira, mas nem mesmo com essa dose celestial de fé e alegria consegui voltar a dormir. Foi assim que me lembrei da loção “Cravolon” e vim escrever esta crônica.
Bem que eu gostaria de levar um litro de “Cravolon” e aplicar essa loção em todos os órgãos contaminados pelo câncer, a fim de extirpá-lo do corpo e salvar a vida da jovem rica, a qual teve tantas oportunidades de crescer na fé e não as aproveitou. É apenas uma analogia. Pretendo visitá-la esta semana, levando o conforto da Palavra de Deus e, quem sabe, ela chegará às mansões celestiais, quando entender que o Evangelho de Cristo não é um meio de enriquecimento material, mas “o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Romanos 1:16) e confia no sacrifício perfeito de Cristo na cruz do Calvário.
Uma boa dose de “Cravolon” seria necessária para desengordurar as almas dessa jovem e de sua mãe milionária, pois “o amor ao dinheiro é a raiz de toda espécie de males” (1 Timóteo 6:10) e foi nesse engodo que elas se extraviaram na fé e agora estão curtindo tão grande sofrimento, o qual poderia ter sido evitado, se tivessem praticado realmente a Palavra Santa. O câncer pode ser hereditário, porém é, sobretudo, uma doença causada pelo estresse. E quem deseja ficar rico, sempre vive estressado e acaba tendo o corpo corroído por essa moléstia implacável! Que Deus tenha piedade dessas duas mulheres tão ricas e infelizes! Oremos por elas. Não me convém declinar os seus nomes, por uma questão de ética. Porém o Senhor as conhece pelos nomes, bem como pelas suas obras...
Mary Schultze, setembro 2006