Jair:
Muito bom esse trabalho. Poucos pastores têm a capacidade de expor a verdade assim como foi expressa neste seu trabalho.
Parabéns.
Mary
----- Original Message -----
From: "Jair Souza Leal" <jairleal@cedro.com.br>
To: "Jair Souza Leal" <jairleal@cedro.com.br>
Sent: Friday, September 29, 2006 2:12 PM
Subject: Boletim 05 - O Maná
Comida e sobremesa
(Jair Souza Leal)
Como são ricas e preciosas as histórias que estão registradas nos Evangelhos, ou
melhor, em toda a Bíblia. Certamente, estão recheadas de princípios espirituais
que norteiam a nossa vida e nutrem o nosso espírito.
Confesso que não entendo bem como pode haver pregadores tão pobres e
superficiais tendo em mãos tão abundante e inesgotável fonte de riquezas. Deus
os teria chamado sem tê-los capacitado?
Quantos em sua pregação lêem um texto bíblico por pretexto, sem se ater a ele,
sem nada acrescentar, sem exaurir a sua riqueza e beleza e, além de serem
superficiais, são enfadonhos. Outros, passeiam distraidamente pela Bíblia sem
chegar a lugar algum, no fim da circulante prédica, falaram muito e não disseram
nada. Os seus ouvintes vão embora tão vazios quanto chegaram.
Grande parte da culpa pelo desinteresse dos cristãos para com a pregação da
Palavra deve-se a estes pregadores. Muitos hoje não gostam de ouvir pregação ou,
preterem-na pelos cânticos, danças, teatro. Isto tem gerado uma ênfase cada vez
maior e mais exagerada nos elementos de apoio à Palavra, a ponto de extinguir as
pregações em alguns cultos.
É como se a sobremesa assumisse o lugar do prato principal ou, que o
substituísse. A bem da verdade, a sobremesa fica cada dia mais gostosa,
saborosa, requintada, atraente e diversificada; na proporção em que o prato
principal fica cada dia mais fraco, trivial, repetitivo e insosso.
Mas não devemos ser injustos. Havemos de convir que os que atuam na área da
música, dança, teatro, se esmeram com dedicação, estudam, ensaiam,
exaustivamente, buscando aperfeiçoar e ficar cada vez melhores no exercício do
seu ministério; para vergonha de muitos pregadores que, grande parte das vezes,
não têm o mínimo empenho no cumprimento da sua missão, quando este empenho
deveria ser ainda maior.
A conseqüência é a desnutrição, a infantilidade e a superficialidade em que
vivem muitos cristãos; bem como o surgimento de diversas heresias e práticas
escusas no seio da Igreja. Afinal, quem estará melhor preparado para servir ao
Senhor, enfrentar crises, tentações e viver uma vida coerente com a vontade de
Deus; os que se alimentam da Palavra ou os que vivem a saborear deliciosas
sobremesas?
Como Jesus expulsou o tentador: cantando, ou usando a Palavra que ele conhecia
bem? (Mateus 4:1-10). Que força teremos para combater o mal se não nos
alimentarmos? Como disse anteriormente, e quando a dúvida, a enfermidade, a
tentação, a perseguição, a morte vierem bater à porta, como
nfrentar: cantando, ou estando revestido da armadura de Deus e empunhando a
espada do Espírito que é a Palavra? (Efésios 6:10-18).
Aparentemente, hoje, a Igreja se aproxima mais do Antigo do que do Novo
Testamento, pois quando lemos o Novo Testamento, temos a clara idéia de que o
que dominava a mente, o coração e as práticas da igreja primitiva era a
evangelização, a pregação da palavra e a oração. Não o Templo, a música, a
instituição.
Parece que tudo se deve à velha tendência que a Igreja tem de oscilar entre os
extremos. Por exemplo, em gerações passadas a música ocupou um lugar
inexpressivo; hoje houve uma inversão. Há sempre o perigo de não enfatizarmos
aspectos importantes da fé, assim, na geração seguinte eles retornam com ênfase
demasiada.
É certo que em cada época da história do cristianismo fez-se necessário
enfatizar certos aspectos da doutrina cristã mais do que em outras. O problema é
que nestas épocas, a Igreja tende a enfatizar só o que é necessário para o
momento e esquece do restante da verdade.
Por exemplo, houve época em que estava em jogo a humanidade e a divindade de
Jesus; daí, foi preciso dar uma ênfase maior na doutrina da pessoa de Cristo.
Outra época, foi a doutrina da salvação pela graça; daí a grande ênfase que os
reformadores precisaram dar na justificação pela fé.
Houve períodos históricos em que certas doutrinas foram omitidas, ou pouco
enfatizadas, nas pregações e no ensino (como o evangelismo e missões e a
doutrina do Espirito Santo). Resultado: a Igreja viveu períodos de letargia
espiritual, pouco crescimento e pouca influência no mundo. Então eclodiram os
grandes empreendimentos missionários e o movimento pentecostal, que varreu o
mundo e trouxe vida ao Evangelho, além de alcançando multidões para Cristo.
O erro cometido é deixar de ensinar os demais aspectos da fé, enquanto se
enfatiza um em determinado momento necessário. Você pode pregar sobre
prosperidade, mas não pode pregar só sobre prosperidade, isto gera
desequilíbrio. Não nego que deva haver certas ênfases, mas não podemos esquecer
que devemos ensinar às pessoas a observarem todas as coisas que Jesus mandou
(Mateus 28:20).
Como disse, não sou contra o louvor, a dança, o teatro na igreja. Mas não sou a
favor que eles ocupem o lugar principal nos cultos e na vida cristã. O louvor é
bíblico, é bom e é o meio que Deus tem usado no presente para trazer unidade à
sua multifacelada Igreja. É evidência de avivamento, é um grande motivador à
espiritualidade, fervor e piedade; porém, em relação à pregação da Palavra, é
como a sobremesa comparada com o prato principal. Ele tem o papel de dar
suporte, de atrair as pessoas para que ouçam com maior atenção a Palavra de
Deus.
Portanto, não devemos deixar que prato principal seja substituído pela
sobremesa. Infelizmente, as crianças normalmente preferem à sobremesa ao prato
principal. Somente adultos podem reconhecer que, conquanto a sobremesa seja mais
saborosa, a refeição é mais importante. Cada qual tem a sua hora e lugar, devem
conviver juntos, uma não deve ser eliminada ou substituída pela outra.
Preparemos e saboreemos deliciosas sobremesas; sem
deixar de preparar e degustar deliciosas refeições.
Então, é hora de aprender com Jesus o que é ser um pregador da Palavra; é disto
que o nosso povo precisa. Pregadores verdadeiros e profundos. De tagarelas já
bastam os políticos da nossa sociedade que, para angariar votos, dizem coisas
que não fazem, e que nem eles mesmos acreditam.
Para Jesus, cada pergunta, cada circunstância, cada acontecimento, por mais
trivial e fortuito não lhe passava desapercebido, e se transformava em grande e
poderoso ensinamento. É uma pena que hoje em dia, a função, e não a
sensibilidade, move os grandes pregadores. Não se ensina mais pelo viver, mas
pelo cargo que se ocupa, e com dia, hora e lugar determinado. Em conseqüência,
há uma falta de unção e de resultados reais e duradouros, bem como de autoridade
e poder.
Jesus sempre aproveitou cada oportunidade para ensinar e pregar. Não dependia de
púlpito nem de multidões, só da ocasião. Qualquer jumento, barquinho, monte,
casa, estrada, mesa, pedra, era o seu púlpito. Sua vida ensinava tanto quanto as
suas palavras.
Muitos hoje precisam de um púlpito, de um grande auditório, de uma grande
igreja, de um estádio e, principalmente, de multidões para que possam ensinar e
pregar. Jesus ensinava por suas palavras e com a sua vida. Que mestre, que
pastor, que pregador; que ensina com a vida e com as palavras, a qualquer
pessoa, em qualquer ocasião e lugar.
Jair Souza Leal - Autor do livro "4 Homens e Um Segredo", estudante de
Direito e auxiliar na Igreja Batista Memorial, Contagem/MG.
Contatos:
jairsouzaleal@ig.com.br
*Este
texto faz parte do livro "O Maná - Crescimento e Comunhão", que está
sendo desenvolvido como uma nova proposta didático pedagógica
para desenvolvimento do corpo de Cristo.
*Se gostou do conteúdo, divulgue, tem a minha autorização.