B-16 e seu confrade Marcinkus
Depois de traduzir o excelente artigo do jornalista Thomas Gordon, um especialista em assuntos do Vaticano, resolvi aproveitar boa parte do conteúdo do mesmo, dando minhas ferroadas nessa “casa desarrumada” (segundo Malachi Martin intitulou o seu livro “Windswept House”) chamada Vaticano.
Vamos falar de B-16 (apelido que os críticos do novo papa Bento 16 nele colocaram, o qual muito me agradou, pois economiza tempo).
Diz Gordon que B-16 tem um secretário particular, Frei Georg Gaenswein - um velho filho da Bavária, de 48 anos, que adora tomar cerveja retirada dos tambores de um “bierkeller” – o qual, além das duas assistentes particulares de B-16, Irmã Ingrid Stampa e Irmã Birgit Wansing é a única pessoa capaz de decifrar sua caligrafia miúda e hieroglífica. Alemãs, como todo o staff pessoal de Bento, as duas freiras supra citadas foram dispensadas até mesmo do uso de hábitos mais modernos, tendo habilmente preferido usar o tipo de roupas das aeromoças da Pan American, uma corporação secular.
O irmão de B-16, Georg (81 anos), costuma deixá-lo irritado, pois gosta de falar demais (A filha alemã sempre me condena pelo mesmo defeito). Georg contou para todo mundo que Bento tem uma incômoda história de saúde; que uma hemorragia cerebral lhe afetou a visão esquerda e por isso ele usa as mesmas lentes Cartier usadas pelo ator Val Kilmer. Contudo, Georg não parou aí, mesmo após ter sido levado ao Hospital Gemelli, para ali receber um marca-passo, e continuou falando sobre a saúde do papa: “Ele não é tão saudável e o seu coração também não está em boa forma. Ele precisava ficar mais tempo sentado”, disse Georg a um jornal alemão, no mês passado.
Georg revelou ainda que o papa pegou um fascínio pela Internet, após ter decidido, no início deste ano, vender o seu carro, um Golf VW, com seis anos de uso. O novo proprietário do veículo o colocou na lista e-Bay e dali o carro foi arrebatado por 188.938,88 Euros, depois de um milhão e meio de lances. O proprietário seguinte, Cassino Golden Palace, descreveu esse veículo como um “artefato sagrado, no qual vamos permitir as pessoas se sentarem, a fim de coletarmos fundos para beneficência.”
Na semana passada, um dos residentes importantes contou a Gordon que “Existem 12 confrades do papa, no Palácio Apostólico, que já estão se acostumando a vê-lo sentado diante do computador, acessando a Net”.
Diz o jornalista que Bento foi apresentado como consumidor, diariamente, de um maço de cigarros Marlboro Lights, desde que veio para Roma, tendo se recusado a transformar o Vaticano numa Cidade-Estado não fumante. O papa falou: “É o caso de cada um decidir, se deseja fumar ou não”, segundo contou o seu irmão Georg aos membros do famoso Coral de Regensburg Domspatzen, do qual ele foi regente por 30 anos.
Contudo, no momento, esses assuntos pessoais não são a única razão da interminável especulação entre os 2.653 membros do staff da Cúria Romana, através da qual o papa governa a Igreja e as 188 missões diplomáticas, que dão à Santa Sé uma influência tão poderosa no cenário diplomático global.
Durante meses, nos corredores de mármore do Palácio do Vaticano, tem ecoado o persistente rumor de que, durante o seu longo descanso de verão, em Castel Gondolfo, B-16 esteve pensando em reduzir os 250 milhões de Euros que são gastos na manutenção do colossal elefante branco, onde pululam o desperdício e as heresias bíblicas.
Atualmente, a Santa Sé possui 30 palácios e 1.700 apartamentos em Roma, que lhe deram, em 2004, uma renda de 50 milhões de Euros. A renda adicional proveniente de “investimentos e outras atividades financeiras” produz outros 50 milhões de Euros. Sem mencionar os 90 milhões de Euros provenientes de outras contribuições, como conferências dos Bispos, dioceses, ordens religiosas, donativos individuais e de “outras entidades” não especificadas.
Essas foram as cifras entregues pelo Conselho de Cardeais para o “Estudo das Questões Organizacionais e Econômicas da Sé Apostólica”, para acalmar a ansiedade de todos os funcionários que se preocupavam, achando que os seus empregos estão ameaçados, caso haja um considerável corte nos gastos do Vaticano.
Os 15 cardeais responsáveis pela supervisão do gerenciamento dos títulos e ações do Vaticano acreditam que sua política de investimentos é por demais conservadora. Eles propuseram que a Santa Sé tenha um banqueiro de investimentos na Wall Street, ou nos principais centros de mercados de capital da Europa, a fim de gerenciar os investimentos. Esse movimento poderia diminuir o poder do Banco do Vaticano, o qual, segundo nos contam alguns experts em assuntos do Vaticano, como Avro Manhattan e Eric Jon Phelps, é controlado pela Máfia.
O que Thomas Gordon não disse (pois a Igreja sempre esconde isso) é que o Vaticano (através dos seus laranjas católicos e judeus) é sócio majoritário de todas as multinacionais do planeta e que os seus lucros nas mesmas são quase impossíveis de serem calculados (Por isso temos visto tantos aumentos nas contas de energia elétrica, telefone, água e todo tipo de serviço que, aparentemente, pertencem ao governo)...
Outro residente no Vaticano disse a Gordon: “Poderíamos aposentar todo o pessoal e todo esse custo poderia ser recuperado dentro de um ano”. (Vai ter grana assim... em Nova Iguaçu!)
Quando ainda era o Cardeal Ratzinger, B-16 disse aos seus confrades cardeais: “O único elemento institucional necessário à Igreja é aquele que foi entregue pelo Senhor, isto é, a estrutura sacramental do povo de Deus.”
Com observações desse tipo ele deve estar preparando o terreno para impor alguma economia na máquina religiosa de sua Igreja, pois os alemães são muito controlados em matéria de gastos, ao contrário dos latinos, que gastam sempre mais do que podem gastar (Em matéria de gostar da Internet e de economizar, dou parabéns ao Bento, pois, enquanto está navegando, ele come menos, não engorda e ainda esquece de criar dogmas fraudulentos, dando, assim, uma colher de chá aos infelizes e crédulos católicos, possíveis candidatos ao Lago de Fogo, se continuarem nessa Igreja - Apocalipse 18-4)
Agora vamos falar de Marcinkus, o ganguester-mor do Vaticano.
O fantasma do Arcebispo (polonês/americano) Marcinkus mais uma vez volta a perseguir o Vaticano. O líder principal do Banco do Vaticano foi intimado a aparecer como testemunha chave no inquérito sobre o assassinato de Roberto Calvi. Este financista americano foi encontrado morto, por enforcamento, em junho de 1982, na Ponte Black Friars, em Londres. Um inquérito havia concluído que Calvi (62 anos) havia cometido suicídio, depois de haver sido empossado como presidente do Banco Ambrosiano, o qual possuía estreita ligação com o Banco do Vaticano e com Marcinkus. Um ano depois o inquérito foi arquivado. Hoje, depois de ampla revisão de evidências, os peritos forenses concluíram que Calvi - cujos bolsos estavam pejados de tijolos e notas bancárias - foi assassinado.
O promotor sênior de Roma - Lucca Tescarolo - e Ana Maria Montelone afirmam que a Máfia tem orquestrado as matanças. Na quinta feira (06/10/05) o caso foi reaberto na Corte de Assis, em Roma. Os indiciados - 3 homens e uma mulher - são acusados de terem atraído Calvi a Londres “a pedido da Máfia, para castigá-lo por ter roubado os milhões de liras esterlinas que lhe haviam sido entregues para lavagem através do Banco do Vaticano”. (Coisas assim, tipo o mensalão e outras imundícies financeiras, são típicas de país católico). O Arc. Marcinkus teria sido convocado pelo Advogado da Defesa, Renato Borzone, para explicar a sua estreita ligação com Calvi e “a intensa pressão do Banco do Vaticano exercida sobre ele, aponto de telo levado a atentar contra a própria vida”. “Marcinkus deve esclarecer suas ligações com Calvi”, falou Borzone, na semana anterior. Contudo, não sei se o arcebispo (que sempre foi protegido pelo seu patrício polonês JP-2), o qual reside atualmente em Phoenix, Arizona, compareceu perante a Corte romana.
Contudo, um indiciamento contra esse prelado alto e musculoso deverá permanecer, pois Borzone o acusa de “ter-se envolvido no tráfico de armas, de ouro roubado, de dinheiro falso, de material radioativo”, no tempo em que governava o Banco do Vaticano”. Marcinkus jamais foi interrogado pela polícia italiana, pois o Papa JP-2 permitiu que ele se escondesse no Vaticano, para ficar a salvo, usufruindo da imunidade soberana mundial da Cidade Estado, concedida por Benito Mussolini, em 1929.
Até o início de outubro 2005, Marcinkus continuava morando numa modesta casa de cedro, pintada de branco, próxima ao terreno do Country Club. Ali ele tem mantido silêncio a respeito de sua vida pregressa em Cícero, o subúrbio de Chicago, onde nasceu Al Capone. Marcinkus adquiriu alguns dos maneirismos típicos dos gangsteres: falar com o canto da boca; praguejar, quando é necessário; aterrorizar o caixa do Banco do Vaticano e ameaçar os bispos (um caso típico da santidade dos prelados católicos!) Certa vez ele se vangloriou de estar na “lista dos dez mais visados” pela KGB, dizendo: “Depois do papa, sou o homem que eles mais querem pegar”.
Como banqueiro do Vaticano, ele tinha alguns clientes fora do comum: o Cassino de Monte Carlo, a Companhia de Armas Beretta e a Companhia Canadense, fabricante de contraceptivos. Com isso ele havia elevado os investimentos do Vaticano além das expectativas. Ele dizia que o seu negócio era “uma direta fonte de lucro financeiro”.
O time da defesa de Calvi avisou ao Vaticano que iria convocar outros membros do staff do banco, os quais ainda trabalham ali. O que tem feito aumentarem demais os rumores é saber se Bento pretende apelar à mesma lei da imunidade usada em favor de Marcinkus.
Como se pode ver pelas sujeiras do Vaticano, este país é o modelo exato dos políticos brasileiros, quase todos ambiciosos, corruptos e arrogantes, sem a menor consideração pelo povo que os elegeu, colocando-os numa posição privilegiada, onde trabalham pouquíssimo, descansam muito e ganham demais, enquanto nossos trabalhadores - que o presidente atual sempre prometeu ajudar - continuam sofrendo com a violência e com a deficiência em matéria de moradia, transporte, educação e saúde, pois os “filhos de marcinkus” nacionais roubam o nosso dinheiro, enviando-o aos paraísos fiscais (onde quase todos os bancos pertencem ou são abençoados pelo Vaticano) e nós, que somos o povo mais inteligente do mundo, damos exemplo de burrice, quando escolhemos esses incompetentes governantes.
Mary Schultze, 08/03/06
Material coletado no artigo ”Benedict XVI Faces Troubling Questions”,
de Thomas Gordon.