A HISTÓRIA DO ARMANDINHO
(Parábola)
Armandinho nasceu numa fazenda perto de Crato, Ceará, no dia 1o. de novembro de 1928. Seu pai era católico praticante, da “Irmandade do Coração de Jesus”, e sua mãe era membro da Ação Católica. O pai era do Partido Integralista e fazia as reuniões políticas em sua fazenda, num quarto espaçoso, bem nos fundos da propriedade, onde só entravam os amigos e membros da “fraternidade”. Vez por outra o Vigário vinha às reuniões e nesse dia havia comes e bebes com fartura.
No dia do batizado de Armandinho, 15 de novembro, o pai mandou construir uma barraca enorme de folhas de palmeira. Dentro foi “armado” um altar com uma dezena de “santos” de barro, pedra e madeira, e todos os que chegavam iam à frente do altar e se benziam respeitosamente. Nesse tempo, católico nenhum praticava o espiritismo, pois a “santa madre” ainda não havia aderido às práticas de Alan Kardec e nem dos pretos velhos da Bahia.
Quando o vigário (Mons. Francisco de Assis) chegou, havia uma multidão de gente, principalmente da família, que tinha raízes de nobreza em Portugal e viera para o Brasil, quase um século antes. Seu Antônio dos Santos (dono de uma pequena fazenda) havia sacrificado nada menos de 6 leitões para a festa, o “baião de dois” chegava a uns 50 quilos, o feijão com pequi enchia 4 caldeirões e havia abundância de frutas e verduras, pois no Cariri não havia o problema da seca e podia-se comer à vontade.
O vigário chegou e Armandinho recebeu o pomposo nome de Armando José Ferreira dos Santos. O menino cresceu formoso, inteligente, no meio dos irmãos e primos, e se tornou um homem de bem. Fumava, bebia uns traguinhos, mas nunca se embriagava. Ficou rico e vivia dizendo consigo mesmo: “Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga” (Lucas 12:19). Quando tinha 50 anos teve um enfarte do miocárdio e morreu de repente, deixando a mulher inconsolável e seis filhos já criados. E foi aí que Armandinho enfrentou o julgamento eterno.
Durante o sepultamento o padre veio e fez uma preleção linda, dizendo que Armandinho tinha sido um homem bom, caridoso, devoto fiel de Nossa Senhora do Carmo, e por isso o seu lugar estava garantido no Purgatório e em seguida, como ele rezava o terço diariamente e usava o escapulário, sua alma voaria no primeiro sábado para o Céu, a fim de ficar junto dos seus “santos” prediletos e gozar da bem-aventurança eterna.
Mas Deus pensava diferente. Armandinho compareceu diante do tribunal divino e descobriu que tudo que havia feito estava gravado numa fita celestial. Ele havia enganado a mulher, o padre, os filhos, todos enfim, mas de Deus não se zomba. Lá estavam todas as piadas sujas que ele havia contado. Os adultérios que havia cometido com as empregadas da casa, os salários justos que havia negado aos empregados da fazenda, as reuniões que havia freqüentado na Maçonaria e, sobretudo, os atos de adoração e veneração aos “santos”, todos catalogados como “atos de abominação” diante de Deus, porque eram práticas de idolatria, que Deus chama de “prostituição espiritual”. Como diz a Bíblia, “nada há encoberto que não haja de revelar-se, nem oculto que não haja de saber-se” . (Mateus 10:26). Pena que Armandinho, um homem tão bom, do ponto de vista humano e machista, jamais tenha lido a Bíblia para aprender como podemos agradar a Deus. Pena que ele não tenha aprendido que “o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 6:23) .
Armandinho foi julgado e condenado ao inferno. Ele se espantou, gritou, exigiu uma explicação do “Juiz Supremo” - Jesus Cristo - mas de nada adiantaram suas reivindicações, porque, ao contrário do que a “santa madre” ensina, ninguém é salvo por ignorância da vontade de Deus. A Bíblia é acessível a todos e seremos todos julgados pela Palavra (João 12:48) e não por obras mortas. Armandinho não tinha o seu nome escrito no “Livro da Vida” e acabou indo para a morte eterna, para onde iriam também os seus companheiros de farra, idolatria e outras práticas abomináveis para Deus.
Deus é Santo e exige que sejamos santos, também. Se alguém julga que será salvo por sacramentos e pelo dízimo que dá à Igreja, seja Católica ou Evangélica, que se cuide. Deus não é quitandeiro, nem comerciante para vender salvação. Ele salva apenas através do sacrifício vicário de Cristo na cruz e o que disso passar é ensino de demônios.
Inspirado no livrete “Esta Foi a Sua Vida”,
da Chick Publications.
Mary Schultze